Apontado por articulistas petistas como um dos principais nomes capazes de levar o partido à Câmara dos Deputados, o economista e presidente da Fundação dos Economiários Federais (Funcef) Guilherme Lacerda já faz discurso de candidato, apesar de afirmar que os planos dele serão submetidos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra-chefe da Casa Civil e pré-candidata à Presidência, Dilma Rousseff. Com um pé no empresariado, Lacerda é um elo importante do partido com o segmento. "Um cidadão que se dispõe a fazer política partidária e ter um cargo público precisa ter, também, relações respeitosas com todos os segmentos sociais", avalia.
Confira a entrevista na íntegra:
Folha Vitória - Nós temos uma eleição à frente e o nome do senhor é considerado para o pleito por muitos analistas. Quais são os planos pessoais do senhor para 2010?
Guilherme Lacerda - Tenho um entusiasmo muito grande em contribuir para o desenvolvimento de nosso querido Espírito Santo. Há muito tempo temos feito o que está ao nosso alcance para isso. Temos uma grande afinidade com o projeto exitoso que está sendo levado adiante atualmente pelo governador Paulo Hartung. Sou filiado ao PT desde 1983 e sempre procurei aliar minha militância política como cidadão com minha formação acadêmica e profissional. Em 2010, será o momento de todos os capixabas avaliarem o governo federal e o estadual. Defendo que haja continuidade desta prática política que tem feito uma revolução maravilhosa em nosso país sob a liderança do presidente Lula. Planos pessoais a gente sempre tem. Mas eu submeto os meus ao presidente Lula e à ministra Dilma. Posso disputar as eleições do ano que vem ou continuar servindo o governo Lula em qualquer trincheira que ele considere importante para darmos continuidade a esta trajetória de desenvolvimento econômico, distribuição de renda e justiça social. Disputando as eleições quero continuar servindo ao povo do Espírito Santo como já fiz através de toda a minha vida pública. Vou avaliar a melhor forma de contribuir neste projeto. Ser um deputado federal ativo, comprometido em defender sempre o melhor para o nosso Estado é uma postura que poderei submeter à apreciação dos cidadãos capixabas.
Folha Vitória - Como o senhor pretende se apresentar para o eleitorado? Já tem projetos definidos?
Guilherme Lacerda - A melhor apresentação para o eleitorado deve ser pautada pela disponibilização de nossa própria história de vida. Pretendo me apresentar da forma que sempre fui, com base em meus valores éticos e morais. Sou um cidadão que conhece a realidade do nosso Estado, conhece os problemas e, modestamente, sabe encontrar soluções. Serei um ardoroso defensor de nossa economia, um ardoroso defensor da geração de empregos e um apaixonado militante pelas questões sociais e dedicado à causa pública. Quero colocar toda minha experiência de gestão - seja pública ou privada - para melhorar a realidade econômica de nossos municípios e a realidade de nossos cidadãos. Sobre os projetos que nos sustentam idealizo uma defesa intransigente de uma política orçamentária federal que não penalize o Estado, apoio ao Governo Estadual no relacionamento institucional com o Governo Federal e com Entidades privadas ou corporativas; diálogo constante com as lideranças corporativas, institucionais e empresariais do Estado para viabilizar soluções favoráveis ao nosso povo. Tudo isso deverá ser conduzido com uma prestação de contas constante de nossos atos.
Folha Vitória - Como o senhor vê a aproximação do PT com o PR? Seria favorável a uma conquista na Câmara?
Guilherme Lacerda - Este debate de coligação partidária será conduzido pelo nosso partido. Nesta semana está sendo feito o primeiro debate sobre o assunto. O PR foi um partido ao qual estivemos coligados nas últimas eleições. Temos que olhar qual é a composição que não penaliza nossa atual representação e que atenda, também, às expectativas dos outros partidos coligados. Eu pessoalmente penso que este caminho é o melhor.
Folha Vitória - Qual é a relação do senhor com o governador Paulo Hartung?
Guilherme Lacerda - A relação com o governo e o governador não poderia ser melhor. Sou de opinião, e nisto acompanho a maioria dos capixabas conforme mostram as pesquisas, que o nosso Estado passa por uma grande transformação para melhor. E as pessoas precisam se lembrar de como estava nossa realidade em 2002. É evidente que sempre precisamos buscar aprimoramentos e ter uma insatisfação benigna. Sobre o relacionamento pessoal é excelente; somos contemporâneos do movimento estudantil lá nos idos dos anos 70 e desde então acompanho a trajetória política exitosa do governador.
Folha Vitória - Como o senhor avalia a parceria do PT com o PMDB em apoio à candidatura de Ferraço ao governo?
Guilherme Lacerda - O PMDB é um partido que está na base de apoio do presidente Lula. Aqui no Estado nós participamos também do governo liderado pelo partido. Essas relações têm sido fundamentais para dar uma governabilidade adequada à execução dos planos de governo proposto à época das eleições. Portanto, vejo com muita tranqüilidade a possível (ou provável) parceria com o PMDB nas eleições majoritárias em 2010. O Ricardo Ferraço, como provável candidato do PMDB, terá no PT um aliado comprometido em fazer a boa política, com P maiúsculo, sem se perder em picuinhas. Vejam como é salutar ter uma boa relação entre o governador e seu vice, como está ocorrendo agora.
Folha Vitória - O senhor acredita que Ferraço está preparado para dar continuidade ao trabalho que vem sendo desenvolvido?
Guilherme Lacerda - O Ricardo Ferraço tem todas as condições para ser um bom governador e dar andamento ao programa de investimentos tão necessário ao povo capixaba. Muitos se esquecem de que no governo Vitor ele foi presidente da Assembléia, nos dois primeiros anos e naquele dificílimo momento ele teve uma postura correta, sempre procurando ajudar. Atualmente, ele tem sido um vice-governador ativo, atuou em várias frentes da administração e tem pleno domínio das dificuldades futuras e também potencial que nosso Estado possui e a capacidade de gestão da máquina administrativa estadual.
Folha Vitória - O senhor tem um pé também no empresariado. Como é a recepção desse segmento à candidatura de Ferraço?
Guilherme Lacerda - Eu sou economista, formado pela UFES, com mestrado pela USP e doutorado pela UNICAMP, ambos concluídos. Sou Professor Universitário, do Departamento de Economia da UFES. Pela minha formação e pela minha experiência profissional, nos diversos desafios que enfrentei, acabei tendo uma interlocução muito boa com o empresariado capixaba. Considero que aqui temos muitos exemplos de lideres sérios e muitos empreendedores em diversos setores. Esta riqueza precisa sempre ser valorizada nos planos de governo e pelas lideranças políticas. Sobre a relação deste segmento com a candidatura de Ferraço não tenho informação sobre qualquer resistência.
Folha Vitória - Na política qual deve ser o limite de envolvimento de um representante do povo com os segmentos econômicos?
Guilherme Lacerda - Um cidadão que se dispõe a fazer política partidária e ter um cargo público precisa ter, também, relações respeitosas com todos os segmentos sociais. Deve prezar pela ética, pelo compromisso social e pelas causas coletivas para nortear seus movimentos. Além disso, precisa ser transparente ao informar o que pensa e como se posiciona perante os diversos assuntos. Tenho experiência e visão social para, sendo candidato e merecendo o mandato do povo capixaba, cumprir bem estas tarefas. É importante construir consensos em que os trabalhadores e os movimentos sociais tenham vez e voz e não fiquem sufocados por aqueles que tenham maior poder econômico. O governo Lula tem provado que não existe dicotomia entre crescimento econômico e justiça social. Os segmentos econômicos que pensam no bem de nosso Estado, no bem de nosso país, que geram riqueza e renda, são parceiros de nosso projeto de mudar e melhorar o Brasil.
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