Gtalk: economize em sua conta de celular,

gtalk Google Talk é um programa de conversação em texto, ou voz, desenvolvido pelo próprio Google. Apesar de não ser tão usado como o Windows Live Messenger (MSN) 2009   , ele vem ganhando a simpatia dos usuários, graças ao suporte de uso junto ao Orkut e Gmail.

Você poderá conversar com seus amigos e familiares, utilizando texto, ou voz. Claro que para a segunda opção será necessário que os dois usuários tenham microfones instalados em seus computadores. Além disto, é necessário ter uma conta de e-mail no Gmail, o serviço de e-mail online da Google.


Ele é integrado ao Gmail e por isso, indica no próprio aplicativo, a quantidade de e-mails na caixa postal e salva suas conversas no Gmail. Se preferir, mande mensagens de voz, utilizando o recurso send voicemail. Ele também pode ser usado para envio e recebimentos de arquivos.

Ao contrário do Windows Live Messenger, o Google Talk possui uma interface simplista e com poucos recursos visuais. Esta versão oferece alguns emoticons para serem usados nas conversas, mas, no entanto não suporta o recurso de webcam. É um comunicador bem simples. Ideal para quem procura por um aplicativo direto, sem recursos complicados.

Abaixo um vídeo explicativo da instalação do Gtalk

Download do programa neste link.

História sonegada

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A abertura ou não dos arquivos sobre a repressão à insurgência armada durante a ditadura militar se resume numa questão: se alguém tem o direito de sonegar à Nação sua própria História. Os debates sobre a conveniência de se remexer esse passado viscoso e sobre as razões e as causas de cada lado são secundários. A discussão real é sobre quem são os donos da nossa História. É se, 25 anos depois do fim da ditadura, os militares têm sobre a nossa memória o mesmo poder arbitrários que tiveram durante 20 anos sobre a nossa vida cívica.

Não é só a nossa história em comum que está sendo sonegada. A história individual dos mortos pela repressão também. Aos parentes são negados não apenas seus restos como a formal cortesia de uma biografia completa. Uma reivindicação que nada tem a ver com revanchismo, que só pede uma deferência à simples necessidade das famílias reaverem seus corpos e saberem seu fim. Impedir que isso aconteça para não melindrar noções corporativas de honra ou imunidade é uma forma de prepotência que, 25 anos depois, não tem mais desculpa.
Revelações como as que o "Estadão" está publicando sobre a guerrilha no Araguaia servem como um começo para o resgate da nossa memória tutelada. Não precisa mexer na lei da anistia. É mais importante para a Nação saber a verdade do que punir os culpados. E já que se liberou a História e se busca a verdade com novo animo, por que não aproveitar e investigar alguns pontos cegos daqueles tempos, como a participação de setores do empresariado em coisas como o Comando de Caça aos Comunistas e a Operação Bandeirantes, agindo como corpos auxiliares da repressão urbana, não raro com entusiasmo maior do que o dos militares ou da polícia política - como costuma acontecer quando diletantes fazem o trabalho de profissionais. Algum correspondente civil ao major Curió deve ter em seus arquivos o relato da guerra naquela outra selva.
Mas sei não, há uma tradição brasileira de poupar o patriciado quando este se desencaminha. Quando descobriram que todos os negócios com o novo governo Collor teriam que passar pela empresa do P.C.Farias, não foram poucos e não foram pequenos os empresários nacionais que aderiram ao esquema sem fazer perguntas. Nas investigações sobre a corrupção que acabou derrubando Collor, seus nomes desapareceram. E, neste caso, não foram os militares que esconderam a verdade.
Artigo de Luis Fernando Veríssimo, publicado dia 25/06/2009 em vários jornais brasileiros.

Discurso que Lula faria em Davos

lula- O discurso que o presidente Lula não leu em Davos (mas que foi lido pelo chanceler Celso Amorim), conforme reprodução do

"Minhas senhoras e meus senhores,
Em primeiro lugar, agradeço o prêmio "Estadista Global" que vocês estão me concedendo. Nos últimos meses, tenho recebido alguns dos prêmios e títulos mais importantes da minha vida. Com toda sinceridade, sei que não é exatamente a mim que estão premiando - mas ao Brasil e ao esforço do povo brasileiro.


Isso me deixa ainda mais feliz e honrado. Recebo este prêmio, portanto, em nome do Brasil e do povo do meu país. Este prêmio nos alegra, mas, especialmente, nos alerta para a grande responsabilidade que temos.
Ele aumenta minha responsabilidade como governante, e a responsabilidade do meu país como ator cada vez mais ativo e presente no cenário mundial. Tenho visto, em várias publicações internacionais, que o Brasil está na moda. Permitam-me dizer que se trata de um termo simpático, porém inapropriado.

O modismo é coisa fugaz, passageira. E o Brasil quer e será ator permanente no cenário do novo mundo. O Brasil, porém, não quer ser um destaque novo em um mundo velho. A voz brasileira quer proclamar, em alto e bom som, que é possível construir um mundo novo. O Brasil quer ajudar a construir este novo mundo, que todos nós sabemos, não apenas é possível, mas dramaticamente necessário, como ficou claro, na recente crise financeira internacional – mesmo para os que não gostam de mudanças.
Meus senhores e minhas senhoras,
O olhar do mundo hoje, para o Brasil, é muito diferente daquele, de sete anos atrás, quando estive pela primeira vez em Davos. Naquela época, sentíamos que o mundo nos olhava mais com dúvida do que esperança. O mundo temia pelo futuro do Brasil, porque não sabia o rumo exato que nosso país tomaria sob a liderança de um operário, sem diploma universitário, nascido politicamente no seio da esquerda sindical. Meu olhar para o mundo, na época, era o contrário do que o mundo tinha para o Brasil. Eu acreditava, que assim como o Brasil estava mudando, o mundo também pudesse mudar.
No meu discurso de 2003, eu disse, aqui em Davos, que o Brasil iria trabalhar para reduzir as disparidades econômicas e sociais, aprofundar a democracia política, garantir as liberdades públicas e promover, ativamente, os direitos humanos. Iria, ao mesmo tempo, lutar para acabar sua dependência das instituições internacionais de crédito e buscar uma inserção mais ativa e soberana na comunidade das nações. Frisei, entre outras coisas, a necessidade de construção de uma nova ordem econômica internacional, mais justa e democrática. E comentei que a construção desta nova ordem não seria apenas um ato de generosidade, mas, principalmente, uma atitude de inteligência política.
Ponderei ainda que a paz não era só um objetivo moral, mas um imperativo de racionalidade. E que não bastava apenas proclamar os valores do humanismo. Era necessário fazer com que eles prevalecessem, verdadeiramente, nas relações entre os países e os povos. Sete anos depois, eu posso olhar nos olhos de cada um de vocês – e, mais que isso, nos olhos do meu povo – e dizer que o Brasil, mesmo com todas as dificuldades, fez a sua parte. Fez o que prometeu. Neste período, 31 milhões de brasileiros entraram na classe média e 20 milhões saíram do estágio de pobreza absoluta. Pagamos toda nossa dívida externa e hoje, em lugar de sermos devedores, somos credores do FMI.
Nossas reservas internacionais pularam de 38 bilhões para cerca de 240 bilhões de dólares. Temos fronteiras com 10 países e não nos envolvemos em um só conflito com nossos vizinhos. Diminuímos, consideravelmente, as agressões ao meio ambiente. Temos e estamos consolidando uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, e estamos caminhando para nos tornar a quinta economia mundial. Posso dizer, com humildade e realismo, que ainda precisamos avançar muito. Mas ninguém pode negar que o Brasil melhorou.
O fato é que Brasil não apenas venceu o desafio de crescer economicamente e incluir socialmente, como provou, aos céticos, que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza. Historicamente, quase todos governantes brasileiros governaram apenas para um terço da população. Para eles, o resto era peso, estorvo, carga. Falavam em arrumar a casa. Mas como é possível arrumar um país deixando dois terços de sua população fora dos benefícios do progresso e da civilização?
Alguma casa fica de pé, se o pai e a mãe relegam ao abandono os filhos mais fracos, e concentram toda atenção nos filhos mais fortes e mais bem aquinhoados pela sorte? É claro que não. Uma casa assim será uma casa frágil, dividida pelo ressentimento e pela insegurança, onde os irmãos se vêem como inimigos e não como membros da mesma família. Nós concluímos o contrário: que só havia sentido em governar, se fosse governar para todos. E mostramos que aquilo que, tradicionalmente, era considerado estorvo, era, na verdade, força, reserva, energia para crescer.
Incorporar os mais fracos e os mais necessitados à economia e às políticas públicas não era apenas algo moralmente correto. Era, também, politicamente indispensável e economicamente acertado. Porque só arrumam a casa, o pai e a mãe que olham para todos, não deixam que os mais fortes esbulhem os mais fracos, nem aceitam que os mais fracos conformem-se com a submissão e com a injustiça. Uma casa só é forte quando é de todos – e nela todos encontram abrigo, oportunidades e esperanças.
Por isso, apostamos na ampliação do mercado interno e no aproveitamento de todas as nossas potencialidades. Hoje, há mais Brasil para mais brasileiros. Com isso, fortalecemos a economia, ampliamos a qualidade de vida do nosso povo, reforçamos a democracia, aumentamos nossa auto-estima e amplificamos nossa voz no mundo.
Minhas senhoras e meus senhores,
O que aconteceu com o mundo nos últimos sete anos? Podemos dizer que o mundo, igual ao Brasil, também melhorou? Não faço esta pergunta com soberba. Nem para provocar comparações vantajosas em favor do Brasil. Faço esta pergunta com humildade, como cidadão do mundo, que tem sua parcela de responsabilidade no que sucedeu – e no que possa vir a suceder com a humanidade e com o nosso planeta. Pergunto: podemos dizer que, nos últimos sete anos, o mundo caminhou no rumo da diminuição das desigualdades, das guerras, dos conflitos, das tragédias e da pobreza?
Podemos dizer que caminhou, mais vigorosamente, em direção a um modelo de respeito ao ser humano e ao meio ambiente? Podemos dizer que interrompeu a marcha da insensatez, que tantas vezes parece nos encaminhar para o abismo social, para o abismo ambiental, para o abismo político e para o abismo moral? Posso imaginar a resposta sincera que sai do coração de cada um de vocês, porque sinto a mesma perplexidade e a mesma frustração com o mundo em que vivemos. E nós todos, sem exceção, temos uma parcela de responsabilidade nisso tudo.
Nos últimos anos, continuamos sacudidos por guerras absurdas. Continuamos destruindo o meio-ambiente. Continuamos assistindo, com compaixão hipócrita, a miséria e a morte assumirem proporções dantescas na África. Continuamos vendo, passivamente, aumentar os campos de refugiados pelo mundo afora. E vimos, com susto e medo, mas sem que a lição tenha sido corretamente aprendida, para onde a especulação financeira pode nos levar.
Sim, porque continuam muitos dos terríveis efeitos da crise financeira internacional, e não vemos nenhum sinal, mais concreto, de que esta crise tenha servido para que repensássemos a ordem econômica mundial, seus métodos, sua pobre ética e seus processos anacrônicos.
Pergunto: quantas crises serão necessárias para mudarmos de atitude? Quantas hecatombes financeiras teremos condições de suportar até que decidamos fazer o óbvio e o mais correto? Quantos graus de aquecimento global, quanto degelo, quanto desmatamento e desequilíbrios ecológicos serão necessários para que tomemos a firme decisão de salvar o planeta?
Meus senhores e minhas senhoras,
Vendo os efeitos pavorosos da tragédia do Haiti, também pergunto: quantos Haitis serão necessários para que deixemos de buscar remédios tardios e soluções improvisadas, ao calor do remorso? Todos nós sabemos que a tragédia do Haiti foi causada por dois tipos de terremotos: o que sacudiu Porto Príncipe, no início deste mês, com a força de 30 bombas atômicas, e o outro, lento e silencioso, que vem corroendo suas entranhas há alguns séculos.
Para este outro terremoto, o mundo fechou os olhos e os ouvidos. Como continua de olhos e ouvidos fechados para o terremoto silencioso que destrói comunidades inteiras na África, na Ásia, na Europa Oriental e nos países mais pobres das Américas. Será necessário que o terremoto social traga seu epicentro para as grandes metrópoles européias e norte-americanas para que possamos tomar soluções mais definitivas?
Um antigo presidente brasileiro dizia, do alto de sua aristocrática arrogância, que a questão social era uma questão de polícia. Será que não é isso que, de forma sutil e sofisticada, muitos países ricos dizem até hoje, quando perseguem, reprimem e discriminam os imigrantes, quando insistem num jogo em que tantos perdem e só poucos ganham? Por que não fazermos um jogo em que todos possam ganhar, mesmo que em quantidades diversas, mas que ninguém perca no essencial?
O que existe de impossível nisso? Por que não caminharmos nessa direção, de forma consciente e deliberada e não empurrados por crises, por guerras e por tragédias? Será que a humanidade só pode aprender pelo caminho do sofrimento e do rugir de forças descontroladas? Outro mundo e outro caminho são possíveis. Basta que queiramos. E precisamos fazer isso enquanto é tempo.

Meus senhores e minhas senhoras,
Gostaria de repetir que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza. Esta também é uma das melhores receitas para a paz. E aprendemos, no ano passado, que é também um poderoso escudo contra crise. Esta lição que o Brasil aprendeu, vale para qualquer parte do mundo, rica ou pobre. Isso significa ampliar oportunidades, aumentar a produtividade, ampliar mercado e fortalecer a economia. Isso significa mudar as mentalidades e as relações. Isso significa criar fábricas de emprego e de cidadania.
Só fomos bem sucedidos nessas tarefas porque recuperamos o papel do Estado como indutor do desenvolvimento e não nos deixamos aprisionar em armadilhas teóricas – ou políticas – equivocadas sobre o verdadeiro papel do estado. Nos últimos sete anos, o Brasil criou quase 12 milhões de empregos formais. Em 2009, quando a maioria dos países viu diminuir os postos de trabalhos, tivemos um saldo positivo de cerca de um milhão de novos empregos.
O Brasil foi um dos últimos países a entrar na crise e um dos primeiros a sair. Por que? Porque tínhamos reorganizado a economia com fundamentos sólidos, com base no crescimento, na estabilidade, na produtividade, num sistema financeiro saudável, no acesso ao crédito e na inclusão social. E quando os efeitos da crise começaram a nos alcançar, reforçamos, sem titubear, os fundamentos do nosso modelo e demos ênfase à ampliação do crédito, à redução de impostos e ao estímulo do consumo.
Na crise ficou provado, mais uma vez, que são os pequenos que estão construindo a economia de gigante do Brasil. Este talvez seja o principal motivo do sucesso do Brasil: acreditar e apoiar o povo, os mais fracos e os pequenos. Na verdade, não estamos inventando a roda. Foi com esta força motriz que Roosevelt recuperou a economia americana depois da grande crise de 1929. E foi com ela que o Brasil venceu preventivamente a última crise internacional.
Mas, nos últimos sete anos, nunca agimos de forma improvisada. A gente sabia para onde queria caminhar. Organizamos a economia sem bravatas e sem sustos, mas com um foco muito claro: crescer com estabilidade e com inclusão. Implantamos o maior programa de transferência de renda do mundo, o Bolsa Família, que hoje beneficia mais de 12 milhões de famílias. E lançamos, ao mesmo tempo, o Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, maior conjunto de obras simultâneas nas áreas de infra-estrutura e logística da história do país, no qual já foram investidos 213 bilhões de dólares e que alcançará, no final do ano de 2010, um montante de 343 bilhões.
Volto ao ponto central: estivemos sempre atentos às politicas macro-econômicas, mas jamais nos limitamos às grandes linhas. Tivemos a obsessão de destravar a máquina da economia, sempre olhando para os mais necessitados, aumentando o poder de compra e o acesso ao crédito da maioria dos brasileiros. Criamos, por exemplo, grandes programas de infra-estrutura social voltados exclusivamente para as camadas mais pobres. É o caso do programa Luz para Todos, que levou energia elétrica, no campo, para 12 milhões de pessoas e se mostrou um grande propulsor de bem estar e um forte ativador da economia.
Por exemplo: para levar energia elétrica a 2 milhões e 200 mil residências rurais, utilizamos 906 mil quilômetros de cabo, o suficiente para dar 21 voltas em torno do planeta Terra. Em contrapartida, estas famílias que passaram a ter energia elétrica em suas casas, compraram 1,5 milhão de televisores, 1,4 milhão de geladeiras e quantidades enormes de outros equipamentos.
As diversas linhas de microcrédito que criamos, seja para a produção, seja para o consumo, tiveram igualmente grande efeito multiplicador. E ensinaram aos capitalistas brasileiros que não existe capitalismo sem crédito. Para que vocês tenham uma idéia, apenas com a modalidade de "crédito consignado", que tem como garantia o contracheque dos trabalhadores e aposentados, chegamos a fazer girar na economia mais 100 bilhões de reais por mês. As pessoas tomam empréstimos de 50 dólares, 80 dólares para comprar roupas, material escolar, etc, e isto ajuda ativar profundamente a economia.
Minhas senhoras e meus senhores,
Os desafios enfrentados, agora, pelo mundo são muito maiores do que os enfrentados pelo Brasil. Com mudanças de prioridades e rearranjos de modelos, o governo brasileiro está conseguindo impor um novo ritmo de desenvolvimento ao nosso país. O mundo, porém, necessita de mudanças mais profundas e mais complexas. E elas ficarão ainda mais difíceis quanto mais tempo deixarmos passar e quanto mais oportunidades jogarmos fora. O encontro do clima, em Copenhague, é um exemplo disso. Ali a humanidade perdeu uma grande oportunidade de avançar, com rapidez, em defesa do meio-ambiente.
Por isso cobramos que cheguemos com o espírito desarmado, no próximo encontro, no México, e que encontremos saídas concretas para o grave problema do aquecimento global. A crise financeira também mostrou que é preciso uma mudança profunda na ordem econômica, que privilegie a produção e não a especulação. Um modelo, como todos sabem, onde o sistema financeiro esteja a serviço do setor produtivo e onde haja regulações claras para evitar riscos absurdos e excessivos.
Mas tudo isso são sintomas de uma crise mais profunda, e da necessidade de o mundo encontrar um novo caminho, livre dos velhos modelos e das velhas ideologias. É hora de re-inventarmos o mundo e suas instituições. Por que ficarmos atrelados a modelos gestados em tempos e realidades tão diversas das que vivemos? O mundo tem que recuperar sua capacidade de criar e de sonhar. Não podemos retardar soluções que apontam para uma melhor governança mundial, onde governos e nações trabalhem em favor de toda a humanidade.
Precisamos de um novo papel para os governos. E digo que, paradoxalmente, este novo papel é o mais antigo deles: é a recuperação do papel de governar. Nós fomos eleitos para governar e temos que governar. Mas temos que governar com criatividade e justiça. E fazer isso já, antes que seja tarde. Não sou apocalíptico, nem estou anunciando o fim do mundo. Estou lançando um brado de otimismo. E dizendo que, mais que nunca, temos nossos destinos em nossas mãos. E toda vez que mãos humanas misturam sonho, criatividade, amor, coragem e justiça elas conseguem realizar a tarefa divina de construir um novo mundo e uma nova humanidade.
Muito obrigado."

Indicações para o diretório estadual

depar

Relação, em ordem alfabetica, dos companheiros indicados para o diretório estadual e suplência.

Francisco Celso Calmon

Ivone Caralo

José Carlos Pigatti

José Luiz Oliveira Silva

Linda Maria Morais

Lucia Maria Freire

Perly Cipriano

Wanderson Pires

A Gazeta

AGazeta

Matéria em  A Gazeta de 23,01, sábado, informa que  o companheiro Pigatti que fora exonerado da SETADES pelo Secretário Tarciso Vargas, também do PT, durante  o PED, foi reconduzido ao governo do Estado, no cargo comissionado de gerênte de Agricultura Familiar e Reestruturação Fundiária.

Desejamos sorte ao companheiro e estímulo contínuo para que leve para o governo o nosso propósito permanente de Democracia e Participação com ética.

Na mesma edição, o coordenador da Comissão de Ética do PT, Francisco Calmon, comenta a coluna de quinta-feira, sobre o PT. Ele afirma que o partido não se divide, mas se organiza internamente em tendências ou correntes de projetos. “Não é um partido de donos, mas de militantes”.

Centrais decidem se unir contra Serra

   cut Os líderes das seis maiores centrais sindicais do país, reunidos ontem na sede nacional da CUT, decidiram realizar em São Paulo uma Conferência Nacional da Classe Trabalhadora, em 1º de junho, com o objetivo de integrar o movimento sindical às candidaturas “das forças democráticas e populares” às eleições de outubro. A ideia é fazer oposição organizada ao candidato do PSDB e do DEM, José Serra. Segundo as centrais, os sindicatos são independentes, mas têm “lado”: a defesa de um projeto de desenvolvimento que valorize o trabalho e a distribuição de renda.


   De acordo com o presidente da CUT, Artur Henrique, “a Conferência será o momento de apontarmos coletivamente um conjunto de diretrizes, com a visão da classe trabalhadora que as centrais vão debater em todos os estados”. Uma vez aprovada, explicou, a pauta “será um instrumento de mobilização e ação sindical” que contribuirá no processo eleitoral.

   “A direita nunca abriu espaços para os trabalhadores incidirem. Pelo contrário, sabemos o que representa: privatização, desmonte do Estado, arrocho salarial, precarização das relações de trabalho e desemprego”, sublinhou o líder da CUT.

    Artur Henrique destacou que, em ano eleitoral, cresce a responsabilidade das lideranças para somar experiência e consciência e potencializar o protagonismo do sindicalismo ampliando a pressão sobre o Congresso Nacional, o empresariado e governos, pela aprovação de projetos que contemplem avanços sociais, como o da redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução de salário.

   “Nossa orientação para as categorias que estão em campanha salarial, como os metalúrgicos, químicos e comerciários, é que joguem peso nas mobilizações e nas greves, tendo em vista que todos os setores estão falando em crescimento econômico em 2010. Este é um fator positivo e um momento excelente para avançar na redução da jornada”, declarou o presidente da CUT.

   Artur também recordou que a pauta da Marcha da Classe Trabalhadora de 2009 é mais do que atual, particularmente a defesa das convenções da Organização Internacional do Trabalho que tratam do direito à negociação coletiva no serviço público e do fim da demissão imotivada. Além disso, acrescentou, “temos a questão da mudança dos Índices de Propriedade da Terra, a Proposta de Emenda Constitucional sobre o Trabalho Escravo, a aceleração da reforma agrária, o Pré-Sal e o nosso projeto unificado de combate à terceirização que precariza as relações de trabalho”.

VIGÍLIA NO CONGRESSO

     Outra decisão dos dirigentes da CUT, Força Sindical, CGTB, CTB, NCST e UGT é realizar uma vigília no Congresso Nacional, no reinício das atividades legislativas, para pressionar os parlamentares a votar a proposta de redução da jornada de trabalho semanal para 40 horas.

   O presidente da Força Sindical e deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) disse que a ação coordenada das centrais deverá minar as resistências dos setores mais retrógrados do parlamento, porque demonstra um respaldo inconteste da classe à iniciativa.

   O secretário geral da Força, João Carlos Gonçalves (Juruna) ressaltou também a luta pela qualidade do emprego e contra a alta rotatividade.

    “Precisamos barrar as demissões imotivadas”, afirmou.

   O presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Wagner Gomes, avaliou que a somatória de iniciativas unitárias, que serão desenvolvidas em 2 de fevereiro, 8 de março e 1º de Maio, apontam para uma grande Conferência, “onde vamos dizer qual a candidatura que tem condições de implantar este projeto de nação focado na valorização do trabalho e na distribuição de renda”.

   De acordo com o secretário geral da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Carlos Alberto Pereira, “o 1º de junho será histórico, com o conjunto das centrais aprofundando a sua unidade nos estados. Ao elevarmos o protagonismo e a unidade das centrais, vamos ampliar as vitórias da classe trabalhadora, que apontam para o fortalecimento do nosso mercado interno, para a defesa do pré-sal e o fim dos leilões do petróleo, com maiores investimentos na industrialização do país”.

Fonte: Brasilia Confidencial

Vox Populi: Dilma já empata com Serra no Rio

dilma Uma queda vertiginosa do pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, e um forte crescimento da candidatura da ministra Dilma Rousseff praticamente acabaram com a vantagem que o tucano vinha sustentando sobre a candidata presidencial do PT junto ao eleitorado do Rio de Janeiro.

    Segundo pesquisa feita pelo Instituto Vox Populi para a Rede Bandeirantes, e parcialmente divulgada na edição de ontem do Jornal da Noite, Serra caiu de 40% para 27% das intenções de voto, enquanto Dilma subiu para 26%.

    De acordo com o Jornal da Noite, o Vox Populi também aponta 14% para Ciro Gomes (PSB) e 9% para Marina Silva (PV).

Candidatura remota

Leia  o artigo do companheiro Chico Celso, A NOIVA, escrito no mesmo dia e mês, há um ano atrás, da matéria abaixo. Vale conferir uma e outra.

Em tese, são poucas as chances de o governador Paulo Hartung ser convidado para vice na chapa da ministra Dilma Rousseff. Ele próprio admitiu essa dificuldade ontem à coluna. A lógica que rege a escolha é absolutamente pragmática, e considera os maiores colégios eleitorais. De todo modo, o fato representa um reconhecimento considerável, e indica que Hartung e o Estado ganham projeção no país.

O nome do governador já viria sendo ventilado entre as alternativas para a chapa palaciana – a do Palácio do Planalto, claro –, desde o final de 2009. Mas ontem, reportagem do jornal Valor Econômico voltou ao tema.
Hartung é incluído entre os possíveis integrantes da lista tríplice que o PMDB pode oferecer a Dilma e ao presidente Lula. Outros cotados seriam o ministro Hélio Costa, o prefeito de Goiânia (GO), Iris Rezende, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. O presidente da Câmara, Michel Temer, segue como franco favorito.
A indicação para vice é sem dúvida mais atraente que a candidatura ao Senado. Primeiro, porque Hartung já foi senador, e hoje aquela Casa não vive sua melhor fase, como se sabe. No Senado, ele poderia perder rapidamente a alta aprovação que tem. Isso explicaria a manifesta relutância do governador em decidir pela candidatura ao parlamento.
Mas, como vice-presidente, caso Dilma vença a disputa para o Planalto, Hartung poderia tocar projetos importantes na máquina pública federal.
Segundo avaliações nos meios políticos, Hartung ou Henrique Meirelles tornariam a chapa de Dilma mais palatável para vários setores. Lula, inclusive, teria preferência por Meirelles, e por isso o teria colocado no PMDB.
A favor de Hartung pesam o desempenho administrativo do Estado, a relação equilibrada com lideranças nacionais de diferentes partidos e matizes, e o bom trânsito entre o setor econômico.
A questão é que, como o próprio governador admite, o diminuto eleitorado do Estado reduz muito as chances de ele ser o escolhido. O Espírito Santo tem 2,4 milhões de eleitores, o correspondente a 1,8% do total do eleitorado do país, segundo dados do site do Tribunal Superior Eleitoral.
Em contrapartida, Minas Gerais conta com mais de 14 milhões de eleitores, ou 10,7% do eleitorado nacional.
Mas também pesa na indicação do vice a geopolítica partidária e eleitoral, obviamente. Estão em jogo os votos do maiores colégios eleitorais e o embate pela hegemonia no PMDB no país.
Afinado com Lula, o PMDB do Congresso, que hoje está à frente do partido, prefere Temer. A presença do presidente da Câmara na chapa enfraquece o PMDB de São Paulo, que apoia o tucano José Serra.
No jogo político, Serra precisa aumentar sua influência no Nordeste e em Minas, enquanto Dilma precisa de Minas e São Paulo.
De todo modo, quanto a Hartung, o fato de ele ter sido incluído entre os cotados indica que o peemedebista se consolida como liderança nacional. Mas deixaria uma possível brecha para ele ser lembrado também na composição de um novo governo petista.

Fonte: Praça Oito – AGAZETA – 20/01/2010

PDT fecha com Dilma e proíbe apoio a Serra nos estados

dilma O comando do PDT decidiu ontem, por unanimidade, oficializar na convenção nacional de junho o apoio do partido à candidatura presidencial da ministra Dilma Rousseff. Segundo o ministro do Trabalho e presidente licenciado do PDT, Carlos Lupi, a Executiva Nacional resolveu também que não permitirá a qualquer seção estadual formar aliança que favoreça o candidato do PSDB à Presidência, José Serra. 


    “Cada estado tem uma realidade. Cada um vai se resolver. Só não pode é ter aliança regional contra o projeto nacional. Não será aceito apoiar Serra”, afirmou o líder pedetista.

     Lupi considerou remota a possibilidade de que o partido revise a posição favorável a Dilma, aprovada por todos os 17 integrantes da Executiva reunidos em Brasília, e acabe optando, por exemplo, pela candidatura de Ciro Gomes (PSB).

    “Não digo que é impossível, mas, com o indicativo unânime da Executiva, a chance disso acontecer é próxima de zero”.

    De acordo com o ministro, agora o PDT se reunirá com Dilma para definir os pontos programáticos de que não abre mão. Quer, entre outros pontos, a preservação dos direitos trabalhistas, o avanço das conquistas socias e a implantação do horário integral obrigatório nas escolas públicas.

   “Não barganhamos nenhum cargo. Estamos dentro do ministério e não vamos ficar fingindo se vamos ou não apoiar Dilma. Somos os primeiros a fechar o apoio e fazemos isso pelo valor pessoal de Dilma para dar continuidade ao governo Lula”.

CUT anuncia mobilização contra “o retorno dos neoliberais”

neoliberalismo O comando nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), reunido ontem em São Paulo, anunciou que mobilizará os trabalhadores para que derrotem a “direita” e impeçam que o PSDB, considerado neoliberal, volte ao poder. Os dirigentes da CUT concluíram que o atual momento político aponta  para a necessidade de “fortalecer a organização sindical cutista, ampliar a solidariedade de classe, aprofundar as conquistas e mobilizar os trabalhadores e a sociedade na disputa de projeto para derrotar a direita nas eleições de 2010 e impedir o retorno dos neoliberais”.

   Os líderes da entidade decidiram atribuir caráter prioritário também à defesa da Comissão da Verdade, proposta pelo governo no 3º Programa Nacional de Direitos Humanos, para garantir que se faça justiça aos lutadores sociais vítimas da ditadura militar.

    “A reação da direita ao Programa Nacional de Direitos Humanos é uma pequena amostra da disputa acirrada que teremos em 2010. Temos muitos desafios pela frente para garantir avanços e impedir retrocessos”, declarou o presidente nacional da CUT, Artur Henrique.

    A entidade defenderá também a democratização da comunicação, para romper o monopólio e a manipulação feita pelos grandes meios; a mudança nos critérios de reintegração de posse da terra, para que avance a implantação da reforma agrária, e o direito às mulheres de decidir sobre o seu próprio corpo, com a legalização do aborto.
    Em reunião marcada para a manhã de hoje, os líderes das maiores centrais sindicais do país vão decidir a agenda de mobilizações, greves e principais reivindicações conjuntas para este primeiro semestre.
   As centrais pretendem organizar greves e paralisações em defesa, entre outros pontos, da redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e da garantia dos direitos dos trabalhadores terceirizados.

 

Fonte:http://www.brasiliaconfidencial.inf.br/?p=8103

Davos fará homenagem a Lula

lula- O Fórum Econômico Mundial, aquele que acontece em Davos na Suíça e só convida os figurões da política mundial resolveu homenagear Lula pelo conjunto da obra.

São os presságios de que Lula terá um assento importante na ONU assim que deixar o mandato. Normalmente a ONU reelege seus Secretários Gerais, mas sempre há alguma exceção. A primeira foi Boutros Boutros-Ghali, do Egito. Ele foi um cara apagado de um Egito aliado aos interesses americanos em uma época em que os EUA mandavam sozinhos no planeta já que a antiga União Soviética tinha ido pro balaio e passava por sérias crises com Boris Yeltsin caindo de borracho, Clinton posava de bonitão e o mundo estava na maior pasmaceira. Ou seja Boutros era um inútil. Ninguém dava bola pra ele.


Kofi Annan quase foi pelo mesmo caminho em seu primeiro mandato. Era um cachorrinho de Bush filho. Mas daí se flagrou que o mundo esperava bem mais de um Secretário Geral que fosse negro e que especialmente, representasse a África, notadamente a parte pobre e complicada do continente, já que o Egito faz parte de uma África que desperta interesses por causa de Israel, Palestina e petróleo. Gana, país de Annan, faz fronteira por exemplo com a Costa do Marfim e o Togo, pequenos barrís de pólvora onde a carnificia real faz parte do cotidiano das guerras tribais que por alí não são incomuns.

Sendo assim, no final do primeiro mandato, Annan começou a se posicionar politicamente. E foi reconduzido ao cargo.

A segunda exceção à reeleição será seguramente Ban Ki Moon. Ele é totalmente inoperante numa época onde a ONU precisa ser presente e sua reforma é iminente. Foi colocado alí exclusivamente porque não havia ninguém mais qualificado. Os manda-chuvas queriam colocar alguém "morto" já que com a questão do terrorismo os EUA poderiam ser muito cobrados pela ONU, como já haviam sendo nas mãos de Annan. Só que o mundo mudou de 2 anos pra cá.

Lula não tirará Moon do cargo até mais ou menos 2012. Mas fontes confiáveis dão conta que ele o sucederá. O que ele vai fazer até 2012 eu não sei, mas também é provável que fique em algum lugar na esfera internacional.

O dado concreto é que daí sim, FHC, se estiver vivo até lá, se jogara da Torre Eiffel ou da Ponte do Brooklin, em NY, lugar preferido para os desiludidos tirarem a própria vida.

FHC jamais foi convidado a dar as caras em Davos, nem para assistir a uma palestra, quem dirá receber uma homenagem.

Vair se duro pros cotovelos dele. De novo!

Para relembrar os motivos de que Don Fernando anda tão chateado ultimamente, siga os links abaixo:

Clique aqui para ver que o Financial Times acha que Lula é um dos 50 da década no mundo.

Clique aqui para ver que o Le Monde diz que Lula é o homem do ano.

Fonte: http://anaispoliticos.blogspot.com

Clique aqui para ver que (fato inédito) Lula foi aplaudido 4 vezes em Copenhague.

Clique aqui para ler o artigo de Zapatero, onde ele diz que Lula assombra o mundo.

Clique aqui para ver a Newsweek falando do político mais popular da Terra.

Clique aqui para ler que a diplomacia é uma das melhores do mundo, segundo a revista Time.

Clique aqui para ver o cream de tudo, Obama dizendo que Lula é "o cara".

Clique aqui para entender o que o Nordestino deveria fazer para deixar de ser saco de pancada em SP.

 

Fonte: http://anaispoliticos.blogspot.com

Márcio Holland: Mais um alerta para o governo Lula

 alerta Por João Villaverde, no jornal Valor Econômico, via Vermelho, via Milton Hayek

Esta é a avaliação de Márcio Holland, professor da Fundação Getulio Vargas de São Paulo (FGV-SP), que considera o ano de 2010 como a grande oportunidade para se realizar um debate acerca dos rumos da economia. Desde a década de 1980, diz Holland, que as condições econômicas não são tão favoráveis. “Nossa inflação está controlada, temos uma sociedade democrática, boa capacidade de diálogo interno e uma situação em que, independentemente de quem ganhar as eleições, a política econômica será parecida com a praticada hoje. São essas condições que nos dão tranquilidade para discutir sobre nossos rumos e escolhas.”

Doutor pela Unicamp, com pós-doutorado em Economia pela Universidade da Califórnia (Berkeley, EUA), Holland critica a “primarização” da pauta exportadora, mais concentrada em produtos primários que em bens industriais de média e alta tecnologia. Para ele, os manufaturados de maior valor agregado perdem espaço também no mercado interno. “Não consumimos praticamente nada de tecnologia nacional. Pen drives, celulares, quase tudo já chega pronto, restando apenas ser montado”.
O economista avalia positivamente o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deixa o Palácio do Planalto no fim do ano. Mas defende um debate sobre os rumos do crescimento sustentado no consumo das famílias e na diminuição do saldo comercial.
Abaixo, os principais trechos da entrevista:
Valor: Um crescimento forte em 2010, próximo a 6%, o preocupa?
Márcio Holland: É perfeitamente possível que a economia brasileira cresça a taxas superiores a 5% ou 5,5% ao ano nos próximos três ou quatro anos sem gerar pressões inflacionárias. Podemos crescer mesmo com déficit em conta corrente aumentando, com juros altos, câmbio valorizado, com grande carga tributária, aumento da dívida pública e dos gastos correntes e alguma melhora nos investimentos. Quer dizer, podemos manter este modelo de crescimento, com sucesso, no curto e médio prazos sem causar problemas de inflação, até porque os juros são altos e serão elevados, se for preciso. O problema não é crescer fortemente.
Valor: Qual é o problema então?
Holland: A questão está em crescer por muito tempo com este modelo. Temos de nos perguntar: que tipo de economia nós queremos ser? Se pegarmos dados do FMI, veremos que na década de 1950 nossas exportações representavam 2% do total exportado no mundo. Atualmente, estamos com 1%. Se for isso que queremos manter, então não há problema, basta tocar o jogo como está e continuaremos com a ilusão de que somos uma grande potência industrial.
Valor: Mas antes da crise o Brasil não alcançava recordes de exportações, em volume e quantidade?
Holland: Nossas exportações estão cada vez mais baseadas em produtos primários. No passado, 40 anos atrás, os bens primários e as manufaturas intensivas em produtos primários, como suco de laranja, por exemplo, respondiam por 75% de nossa pauta exportadora. Depois do PND II [Plano Nacional de Desenvolvimento II], na segunda metade dos anos 1970, começamos a alterar esse modelo.
Os primários chegaram a representar 44% de nossas exportações totais, em 2005, mas desde então eles têm aumentado sua participação. Hoje, representam cerca de 54% e estão crescendo. Nossa situação é até boa quando comparada com os outros países da América Latina, onde os primários respondem por quase 80% das exportações.

Valor: Mas parte das exportações de manufaturados não têm sido desviada para o mercado doméstico em expansão?

Holland: Sem dúvida. A direção do comércio exterior brasileiro mudou. Em 1990, pouco mais de 24% de nossas vendas externas eram para os Estados Unidos, onde a demanda é predominantemente por bens manufaturados. Em 2009, as exportações para os EUA bateram em 12%. No mesmo período, passamos de 1,98% exportado à China para 12,5% no ano passado. O grande problema está aí: 85% do que vendemos para os chineses são produtos primários, com pouquíssimo valor agregado. Estamos reposicionando nossas exportações para a China e para nosso mercado doméstico.
Valor: O mercado doméstico não garante o crescimento do setor industrial?
Holland: Mesmo para o mercado interno, boa parte das manufaturas é importada, fazemos apenas o trabalho de acabamento. Não consumimos praticamente nada de tecnologia nacional. Pen drives, celulares, quase tudo já chega pronto, restando apenas ser montado. Claro, os ganhos de qualidade industrial nos últimos anos é indiscutível. Mas quando se olha perante o resto do mundo, percebemos que estamos aquém do que poderíamos fazer.

Valor: Este é o nosso modelo de crescimento?

Holland: Vivemos o aumento da classe C brasileira, que durante a era Lula passou a constituir a maior parcela da população. Temos uma nova classe média, ganhando mais e consumindo mais, com carteira assinada e maior acesso à crédito. É uma sociedade acostumada com reajustes crescentes do salário mínimo, que cresceu 75% de 1990 até o ano passado. Uma classe que está pronta para consumir agora, no presente, daí essa explosão do consumo varejista. Nosso crescimento elevado é sustentado por essa nova classe média.
Valor: O crescimento forte do PIB, baseado no consumo das famílias, se sustenta?
Holland: Trata-se de uma sociedade de curto prazo, o que é um perigo para o longo prazo. Fazemos um discurso de grande potência internacional, de líder do G-20, mas estamos exportamos menos produtos manufaturados intensivos em tecnologia. Nos últimos dez anos, segundo dados do IBGE, os investimentos da indústria de média e alta intensidade tecnológica aumentaram 22%.
Já os investimentos em manufaturas minerais e agrícolas, de baixo valor agregado, cresceram 490%. As pessoas falam que os produtos naturais podem carregar tecnologia, e é verdade. Mas é possível comparar a tecnologia de uma máquina que corta cana a de uma câmera fotográfica ou de um chip de computador? É incomparável. E é este o padrão de sociedade que se perpetua, do Brasil virando uma grande fazenda, onde nosso exemplo de país é a Austrália.

Valor: Qual país poderíamos usar como exemplo, então?

Holland: Sou cético quanto a elegermos um paradigma. Não se repetem experiências como a China, que cresce fortemente há anos. A questão do câmbio, por exemplo, muito criticada como empecilho, não pode ser central no debate macroeconômico brasileiro.
Valor: Mas a moeda não está muito valorizada?
Holland: O câmbio não é o único fator a ser resolvido. A apreciação do real é um problema, sem dúvida. Mas o câmbio não resolve sozinho um problema estrutural, de modelo de crescimento. Entre 2005 e 2008, o real foi a moeda que mais se valorizou no mundo, tendo se apreciado 25% em relação ao dólar. Na outra ponta, África do Sul e Japão, tiveram, no mesmo período, as maiores desvalorizações, de 22% e 20% respectivamente. E o Brasil cresceu mais do que eles no período.
Quer dizer, dentro deste modelo, que privilegia o consumo interno, é plenamente possível crescer com câmbio valorizado. Talvez o que essa sociedade queira do câmbio valorizado sejam os produtos do exterior baratos. Não importa o custo do crédito ou quanto vale a taxa de juros básica da economia, porque ninguém se preocupa com isso. Tivemos uma demanda reprimida por mais de 20 anos sem crescimento, entre 1980 e o começo da década de 2000. Quando a sociedade passa a dispor dessa oportunidade de consumo, não vai abrir mão. Nenhum candidato à presidência fará discurso contra isso.
Valor: Como alterar a rota?
Holland: Não será por meio de políticas intervencionistas ou choques, como ocorria no passado. É preciso um plano estratégico que agregue diferentes setores da sociedade para pensar o médio e longo prazos. Politicamente, isso implica mobilizar o Congresso, as assembleias e câmaras para uma reforma política, o que obviamente vai exigir uma discussão popular. Não podemos perpetuar um modelo de crescimento que desconsidera o futuro. Para isso, precisamos de políticos esclarecidos, especialmente em tempos de mudanças climáticas e novas demandas sociais.

Valor: O aumento do déficit em conta corrente, que em proporção do PIB deve dobrar neste ano, alcançando 3%, o preocupa?

Holland: O déficit é financiável, esse que é o problema. Qual investidor, independentemente de sua natureza, não quer um mercado como o nosso? Teremos mais investimentos estrangeiros diretos com certeza. Mas esse tipo de investimento tem impacto negativo na conta corrente, uma vez que ele implica insumos importados e aumento nas remessas de lucros e dividendos no futuro. É amor e ódio, porque amplia nosso crescimento, mas também nosso déficit com o exterior.
Valor: Os EUA dos anos 1990, que cresceram com elevados déficits em conta corrente, moeda valorizada e forte consumo doméstico, poderiam ser nosso exemplo?
Holland: Os Estados Unidos cresceram dessa forma como sociedade desenvolvida. E o que ocorreu décadas mais tarde? Não vai dar certo. Se não deu certo com os ricos, não tem como dar certo com os pobres.
Valor: As eleições deste ano poderão ser um começo?
Holland: Vivemos o grande momento. Desde os anos 1980 não tivemos uma oportunidade para se refletir a economia brasileira como temos agora. Nossa inflação está controlada, temos uma sociedade democrática, boa capacidade de diálogo interno e uma situação em que, independentemente de quem ganhe as eleições, a política econômica será parecida com a praticada hoje. São essas condições que nos dão tranquilidade para discutir sobre nossos rumos e escolhas.
Valor: O que o sr. proporia como primeira pauta de debate eleitoral?
Holland: Não podemos perpetuar essa discussão centrada em Copom, metas de inflação e taxas de juros. Isso é algo errado e já deveríamos ter superado. Precisamos discutir se queremos continuar crescendo como uma economia primária exportadora.
Valor: Que saldo você faz do governo Lula?
Holland: Analisando com responsabilidade histórica, o saldo do governo é extremamente positivo. Imaginávamos, em 2002, uma nova Venezuela, que romperia contratos. Mas houve muita responsabilidade política. Tivemos grandes avanços na microestrutura, com melhora na distribuição de renda, formalização da mão de obra, aumento do emprego. Amadurecemos como sociedade. Estamos no ponto necessário para fazer uma grande discussão, sobre se vamos perpetuar o crescimento como está ocorrendo ou se mudaremos de rumo.

Saiba mais sobre o PNDH-3

dhumanos

Recém lançado, o Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3) vem provocando reações exacerbadas em setores conservadores da sociedade brasileira.
Um dos temas que causa maior polêmica é a proposta de instituição da Comissão Nacional da Verdade, para examinar o desrespeito aos direitos humanos no período da ditadura.
Para saber mais sobre os debates em torno do PNDH-3, leia artigos aqui.

Leonardo Boff fala sobre os rumos do planeta terra e do ser humano

leonardo_boff Rogéria Araújo *

As mobilizações sociais e os alardes sobre os prejuízos que a ação humana vem causando ao meio ambiente não foram suficientes para garantir o fechamento de acordos eficazes durante a 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15), concluída sexta-feira (18) em Copenhague, na Dinamarca.

Os líderes mundiais demonstraram mais uma vez preferência pelo desenvolvimento do capital em detrimento da vida. Ainda assim, a postura de desdém para com os problemas climáticos do planeta não está engessando as ações da população na luta por pequenas mudanças. A evidência dada à causa ambiental tem servido para gerar consciência e, aos poucos, mudar maus hábitos de consumo. "O lugar mais imediato é começar com cada um", acredita Leonardo Boff.


Em entrevista à ADITAL, o teólogo, filósofo e escritor fala sobre a necessidade de começarmos as mudanças que irão beneficiar a Terra por nós. "Cada um em seu lugar, cada comunidade, cada entidade, enfim, todos devem começar a fazer alguma coisa para dar um outro rumo à nossa presença neste planeta". Para Boff, não devemos depositar nossas esperanças nas decisões que vêm de cima.

Adital - O senhor acredita na vontade política dos grandes líderes mundiais em reverter a situação climática em que se encontra nosso planeta?

Leonardo Boff - Não acredito. Os grandes não possuem nenhuma preocupação que vá além de seus interesses materiais. Todas as políticas até agora pensadas e projetadas pelo G-20 visam salvar o sistema econômico-financeiro, com correções e regulações (que até agora não foram feitas) para que tudo volte ao que era antes. Antes reinava a especulação a mais desbragada que se possa imaginar. Basta pensar que o capital produtivo, aquele que se encontra nas fábricas e no processo de geração de bens soma 60 trilhões de dólares.

O capital especulativo, baseado em papéis, alcançava a cifra de 500 trilhões. Ele circulava nas bolsas especulativas do mundo inteiro, gerenciado por verdadeiros ladrões e falsários. A verdadeira alternativa só pode ser: salvar a vida e a Terra e colocar a economia a serviço destas duas prioridades. Há uma tendência autosuicidária do capitalismo: prefere morrer ou fazer morrer do que renunciar aos seus benefícios.

Adital - Muito esperada a COP 15, que acontece em Copenhague, Dinamarca, parece não apontar para resultados eficazes e em comprometimentos mais sérios. Qual deve ser o papel da sociedade civil caso os resultados não sejam os esperados?

Leonardo Boff - Chegamos a um ponto em que todos seremos afetados pelas mudanças climáticas. Todos corremos riscos, inclusive de grande parte da humanidade ter que desaparecer por não conseguir se adaptar nem mitigar os efeitos maléficos do aquecimento global. Não podemos confiar nosso destino a representantes políticos que, na verdade, não representam seus povos mas os capitais com seus interesses presentes em seus povos. Precisamos nós mesmos assumir uma tarefa salvadora. Cada um em seu lugar, cada comunidade, cada entidade, enfim, todos devem começar a fazer alguma coisa para dar um outro rumo à nossa presença neste planeta. Se não podemos mudar o mundo, podemos mudar este pedaço do mundo que somos cada um de nós.

Sabemos pela nova biologia e pela física das energias que toda atividade positiva, que vai na direção da lógica da vida, produz uma ressonância morfogenética, como se diz. Em outras palavras, o bem que fazemos não fica reduzido ao nosso espaço pessoal. Ele se ressoa longe, irradia e entra nas redes de energia que ligam todos com todos e reforçam o sentido profundo da vida.

Daí podem ocorrer emergências surpreendentes que apontam para um novo modo de habitar o planeta e novas relações pessoais e sociais mais inclusivas, solidárias e compassivas. Efetivamente, se nota por todas as partes que a humanidade não está parada nem enrijecida pelas perplexidades. Milhares de movimentos estão buscando formas novas de produção e alternativas que respondem aos desafios.

Somente em ONG existem mais de um milhão no mundo inteiro. É da base e não da cúpula que sempre irrompem as mudanças.

Adital - Nunca as questões ambientais estiveram tão em evidência como nos últimos anos. Termos como aquecimento global, mudanças climáticas apesar de vários alertas feitos há bem mais tempo, hoje fazem parte do cotidiano de muita gente em todo o planeta. Nessa "crise civilizatória" ainda há tempo para se fazer algo? De onde poderá vir essa "salvação"?

Leonardo Boff - Se trabalharmos com os parâmetros da física clássica, aquela inaugurada por Newton, Galileo Galilei e Francis Bacon, orientada pela relação causa-efeito, estamos perdidos. Não temos tempo suficiente para introduzir mudanças, nem sabedoria para aplicá-las. Iríamos fatalmente ao encontro do pior. Mas se trocarmos de registro e pensarmos em termos do processo evolucionário, cuja lógica vem descrita pela física quântica que já não trabalha com matéria mas com energia (a matéria, pela fórmula de Einstein, é energia altamente condensada) aí o cenário muda de figura.

Do caos nasce uma nova ordem. As turbulências atuais prenunciam uma emergência nova, vinda daquele transfundo de Energia que subjaz ao universo e a cada ser (chamada também de Vazio Quântico ou Fonte Originária de todo ser). As emergências introduzem uma ruptura e inauguram algo novo ainda não ensaiado. Assim não seria de se admirar se, de repente, os seres humanos caiam em si e pensem numa articulação central da humanidade para atender as demandas de todos com os recursos da Terra que, quando racionalmente gerenciados, são suficientes para nós humanos e para toda a comunidade de vida (animais,plantas e outros seres vivos).

Possivelmente, chegaríamos a isso face um perigo iminente ou após um desastre de grandes proporções. Bem dizia Hegel: o ser humano aprende da história que não aprende nada da história, mas aprende tudo do sofrimento. Prefiro Santo Agostinho que nas Confissões ponderava: o ser humano aprende a partir de duas fontes de experiência: o sofrimento e o amor. O sofrimento pela Mãe Terra e por seus filhos e filhas e o amor por nossa própria vida e sobrevivência irão ainda nos salvar.

Então não estaríamos face a um cenário de tragédia cujo fim é fatal mas de uma crise que nos acrisola e purifica e nos cria a chance de um salto rumo a um novo ensaio civilizatório, este sim, caracterizado pelo cuidado e pela responsabilidade coletiva pela única Casa Comum e por todos os seus habitantes.

Adital - Há varias demandas para que a Corte Penal Internacional reconheça os crimes ambientais como crime de lesa humanidade. O senhor acha que seria uma alternativa?

Leonardo Boff - As leis somente têm sentido e funcionam quando previamente se tenha criado uma nova consciência com os valores ligados ao respeito e ao cuidado pela vida e pela Terra, tida como nossa Mãe, pois nos fornece tudo o que precisamos para viver. Havendo essa consciência, ela pode se materializar em leis, tribunais e cortes que fazem justiça à vida, à Humanidade e à Terra com punições exemplares. Caso contrário, os tribunais possuem um caráter legalista, de difícil aplicação, sem sua necessária aura moral que lhe confere legitimidade e reconhecimento por todos.

Então devemos primeiro trabalhar na criação dessa nova consciência. Eu mesmo estou trabalhando com um pequeno grupo, a pedido da Presidência da Assembléia da ONU, numa Declaração Universal do Bem Comum da Terra e da Humanidade. Ela deverá entrar por todos os meios de comunicação, especialmente, pela Internet para favorecer a criação desta nova consciência da humanidade. A nova centralidade não é mais o desenvolvimento sustentável, mas a vida, a humanidade e a Terra, entendida como Gaia, um superorganismo vivo.

Adital - Por outro lado não se cogita nada do tipo voltado para o consumo, por exemplo, que tem interferência direta no caos em que se tornou a Terra. Poderia falar um pouco sobre isso?

Leonardo Boff - O propósito de todo o projeto da modernidade, nascido já no século XVI, está assentado sobre a vontade de poder que se traduz pela vontade de enriquecimento que pressupõe a dominação e exploração ilimitada dos recursos e serviços da Terra. Em nome desta intenção se construiu o projeto-mundo, primeiro pelas potências ibéricas, depois pelas centro-europeias e por fim pela hegemonia norte-americana. No início não havia condições de se perceber as consequências funestas desta empreitada, pois incluía entender a Terra como um simples baú de recursos, algo sem espírito que poderia ser tratada como quiséssemos. Surgiu o grande instrumento da tecno-ciência que facilitou a concretização deste projeto. Transformou o mundo, surgiu a sociedade industrial e hoje a sociedade da informação e da automação.

Toda esta civilização oferece aos seres humanos, como felicidade, a capacidade de consumo sem entraves, seja dos bens naturais seja dos bens industriais. Chegamos a um ponto em que consumimos 30% a mais do que aquilo que a Terra pode reproduzir. Ela está perdendo mais e mais sustentabilidade e sua biocapacidade. Ela simplesmente não aguenta mais o nível excessivo de consumo por parte dos donos do poder e dos controladores do processo da modernidade. Os 20% mais ricos consomem 82,4% de toda a riqueza da Terra, enquanto os 20% mais pobres têm que se contentar com apenas 1,6% da riqueza total. Agora nos damos conta de que uma Terra limitada não suporta um projeto ilimitado. Se quiséssemos universalizar o nível de consumo dos países ricos para toda a Humanidade, cálculos já foram feitos - precisaríamos de pelo menos 3 Terras iguais a esta, o que se revela como uma impossibilidade. Temos que mudar, caso quisermos superar esta injustiça social e ecológica universal e termos um mínimo de equidade entre todos.

Adital - Até que ponto o senhor acredita que a sociedade civil organizada pode ser agente de uma nova prática de consumo?

Leonardo Boff - Deve-se começar em algum lugar. O lugar mais imediato é começar com cada um. O desafio, face ao problema universal, é convencer-se de que podemos ser mais com menos. Importa fazer uma opção por uma simplicidade voluntária e por um consumo compassivo e solidário pensando em todos os demais irmãos e irmãs e demais seres vivos da natureza que passam fome e estão sofrendo todo tipo de carência. Mas para isso, devemos realizar a experiência radicalmente humana de que de fato somos todos irmãos e irmãs e que somos ecointerdependentes e que formamos a comunidade de vida.

A economia se orientará para produzir o que realmente precisamos para a vida e não para a acumulação e para o supérfluo, uma economia do suficiente e do decente para todos, respeitando os limites ecológicos de cada ecossistema e obedecendo aos ritmos da natureza. Isso é possível. Mas precisamos de uma "metanoia" bíblica, de uma transformação de nossos hábitos, de nossa mente e de nossos corações. Essa transformação constitui a espiritualidade. Ela não é facultativa, é necessária. Cada um é como a gota de chuva. Uma molha pouco. Mas milhões e milhões de gotas fazem uma tempestade, agora um tsunami do
bem.

Adital - O Brasil, por conta da Floresta Amazônica e outra matas nativas, deveria ter um papel fundamental na questão ambiental. Como o senhor avalia a postura do governo brasileiro em relação ao tema?

Leonardo Boff - O governo brasileiro não acumulou ainda suficiente massa crítica nem consciência da importância da floresta amazônica para os equilíbrios climáticos da Terra inteira. Se o problema é o excesso de dióxido de carbono na atmosfera, então são as florestas as grandes sequestradoras deste gás que produz o efeito estufa e, em conseqüência, o aquecimento global.

Elas absorvem os gases poluentes pela fotossíntese e os transforma em biomassa, liberando oxigênio. Ao invés de estabelecer a meta de desmatamento 0 e ai ser rígido e implacável, por amor à humanidade e à Terra, o governo estabelece que até 2020 vai reduzir o desmatamento até 15%. E há políticas contraditórias, pois de um lado o Ministério do Meio Ambiente combate o desmatamento, por outro o BNDS financia projetos de expansão da soja e da pecuária que avançam sobre a floresta. Por detrás estão grandes interesses do agronegócio que pressionam o governo a manter uma política flexível e danosa para o equilíbrio da Terra.

Adital - Todavia percebe-se grande atuação de movimentos sociais e entidades em defesa da natureza e cobrando mais de seus governos em âmbitos internacionais. Acredita que haja, no momento, mais empoderamento?

Leonardo Boff - Acredito que a Cúpula de Copenhague terá função semelhante que teve a Eco-92 no Rio de Janeiro. Depois da Eco-92 surgiu no mundo inteiro a questão da sustentabilidade e da crítica ao sistema do capital visto como essencialmente anti-ecológico, pois ele implica uma produção ilimitada à custa da extração ilimitada dos recursos e serviços da natureza. Creio que a partir de agora a Humanidade tomará consciência de que ou ela, a partir da sociedade civil mundial, dos movimentos, organizações, instituições, religiões e igrejas, muda de rumo ou então terá que aceitar a dizimação da biodiversidade e o risco do extermínio de milhões e milhões de seres humanos, não excluída a eventualidade do desaparecimento da própria espécie humana.

Essa consciência vai encontrar os meios para pressionar as empresas, os grandes empreendimentos e os Estados para encontrarem uma nova relação para com a Terra. O problema não é a Terra, mas nossa relação para com ela, relação de agressão e de exploração implacável. Precisamos estabelecer um acordo Terra e Humanidade para que ambos possam conviver interdependentes, com sinergia e espírito de reciprocidade. Sem isso não teremos futuro. O futuro virá a partir da força da semente, quer dizer, das práticas humanas pessoais e comunitárias que criam redes, ganham força e conseguem impor um novo arranjo que garantirá um novo tipo de história.

* Jornalista da Adital

Pesquisa revela como o jovem brasileiro encara a adoção de atitudes sustentáveis

meio_ambiente Adital -

A pesquisa "Estilos Sustentáveis de Vida - Resultados de uma pesquisa com jovens brasileiros", divulgada no final do último mês de novembro, identificou o que a juventude pensa e o que faria para ajudar no desenvolvimento sustentável da sua cidade e do planeta. O objetivo foi o de articular iniciativas locais e regionais de promoção da produção e do consumo sustentáveis.


No Brasil, a pesquisa foi realizada pelo Instituto Akatu, em parceria com o Ipsos Public Affairs, entre os dias 6 e 14 de abril de 2009 e entrevistou cerca de mil jovens com idade entre 18 e 35 anos em nove principais regiões metropolitanas do país e no Distrito Federal. O estudo faz parte do mapeamento mundial Global Survey on Sustainable Lifestyle, coordenado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio ambiente.

De acordo com o resultado da pesquisa, a juventude brasileira está muito disposta a receber informações sobre sustentabilidade e propensa a adotar hábitos mais sustentáveis.

No campo político, social, econômico, cultural e ambiental 32% dos jovens priorizaram o combate ao crime, 27% dizem que é importante ‘reduzir e erradicar a pobreza e a diferença social’, enquanto 18% desejam melhorar condições econômicas e apenas 11% desejam ‘combater a degradação ambiental e a poluição’.

Entre os desafios sociais e ambientais, 72% dos jovens entrevistados revelaram que é necessário reduzir a poluição da água, ar e solo. A mesma porcentagem também deseja melhorar a saúde da população. Já para 70% deles é importante reduzir o desemprego e, empatados com 61% ficam as opções ‘diminuir a diferença entre ricos e pobres’, ‘reduzir o trabalho infantil’ e ‘assuntos relacionados às mudanças climáticas’.

Sobre as alterações climáticas, 78% dos jovens disseram que as pessoas mudariam de comportamento se estivessem mais informadas sobre os impactos e danos ambientais causados pelas mudanças climáticas.

Pretendendo observar o comportamento dos jovens quanto aos temas ‘casa’, ‘alimentação’ e ‘transporte’, o estudo propôs a adoção de atitudes ligadas à sustentabilidade. O resultado revelou que 78% dos entrevistados aceitaram bem a opção ‘compostagem urbana’ como solução ao desperdício de lixo orgânico. Mas, apenas 22% dos jovens disseram que poderiam aderir às ‘lavanderias coletivas’, como solução ao desperdício de energia pelo uso individual de máquinas de lavar.

Em relação aos meios de transporte, 53% dos jovens mostraram que adeririam à ‘rede de bicicletas’ e 47% manifestaram boa vontade em contribuir com a redução da poluição gerada por veículos, ao aceitarem a alternativa ‘compartilhar o carro’.

Embora demonstrem boa vontade e abertura para praticar ações sustentáveis, a maioria dos entrevistados ainda não tem incorporados essas ações em seu cotidiano. Para o Diretor da Ipsos Public Affairs, Paulo Cidade, há receptividade por parte da juventude para os temas de sustentabilidade.

Segundo ele, para que os jovens transformem a intenção de mudar para um novo comportamento na prática, é necessário que se mostre às pessoas o que elas podem fazer no seu cotidiano: "precisamos falar aos jovens como agir", disse.

Perguntados sobre as atividades feitas dentro de casa, 69% dos jovens dizem que preferem ‘assistir a televisão’, 11% fazem comida e ‘descansam e dormem’, enquanto 9% usam o computador e ouvem música. Entre as atividades que não gostam, a mais apontada é ‘trabalho doméstico’, com 26% de indicações. Em seguida aparecem as opções emprego com 6% e, ociosidade, com 4%.

Em relação ao tema ‘alimentação’, 57% dos jovens fazem suas compras em supermercados, e apenas 7% em mercados locais. Quanto ao tema ‘transporte’, 64% dos jovens andam mais de ônibus, 19% de carro, 10% andam a pé, 8% de bicicleta e 7% andam de moto. Trinta e cinco por cento dos entrevistados disseram não gostar do transporte público (35%).

Em quase todos os temas, os jovens revelam que é o governo quem deve liderar a tomada de decisões e as mudanças e, em menor escala, as empresas também são apontadas como agentes de transformação.

Mais um passo à frente

perly Perly Cipriano
O Programa Nacional de Direitos Humanos III (PNDH) tem como referência a Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU, a Constituição Federal, os tratados e convenções que o Brasil é signatário. É mais um passo na construção histórica que visa concretizar a promoção dos Direitos Humanos no Brasil.
Ele foi precedido pelo PNDH-I, que enfatizou os direitos civis e políticos, em 1996, e pelo PNDH-II, que incorporou os direitos econômicos, sociais, culturais e ambientais, em 2002. O Brasil ratificou a grande maioria dos tratados internacionais sobre Direitos Humanos e as ações propostas pelo PNDH-3 refletem este compromisso.
A política de Direitos Humanos deve ser uma política de Estado, que respeite o pacto federativo e as competências dos diferentes Poderes da República. Por sua vez, a interação entre todas estas esferas garante a plena garantia dos Direitos Humanos no país.
A participação social na elaboração do programa se deu por meio de conferências, realizadas em todos os estados do país durante o ano de 2008, envolvendo diretamente mais de 14 mil pessoas, além de consulta pública. A versão preliminar do Programa ficou disponível no site da Secretaria Especial de Direitos Humanos durante o ano de 2009, aberto a críticas e sugestões. Além de incorporar as propostas e sugestões das diferentes Conferências Nacionais, que contou com mais de 4 milhões de participantes, foram momentos importantes de diálogo e de interação entre o poder público e a sociedade civil.
São muitos os desafios pela frente. O PNDH III estabelece diretrizes, objetivos estratégicos e ações programáticas a serem trilhados nos próximos anos no sentido de prevenir, promover, proteger e reparar toda e qualquer violação de direitos humanos.
O machismo, o racismo, a intolerância religiosa, a homofobia, a xenofobia, ou outras formas de preconceitos e discriminações praticadas contra idosos, pessoas com deficiência, negros, índios, ciganos, pessoas com HIV, etc, não serão erradicados de um dia para outro, é um processo lento, de aprendizado individual e coletivo.
Os direitos humanos não são uma construção linear, existem avanços e mesmo retrocessos.  No Brasil, a Lei da Anistia foi uma conquista bem como a lei que estabelece reparação para os perseguidos políticos e para os familiares de pessoas mortas e desaparecidos durante o regime militar. Mas temos também exemplos de retrocessos como ocorreu nos EUA depois dos atentados às Torres Gêmeas, quando o governo autorizou prisões ilegais e a tortura.
O PNDH III avança também no sentido de consolidar o direito à verdade e à memória como um direito humano fundamental, para um projeto de Nação, confirmando "minha pátria é a memória", de Guimarães Rosa. É sempre possível melhorar e avançar. O PNDH III é um passo a mais.
Perly Cipriano é subsecretário da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República.

Unicef confirma que Cuba tem 0% de desnutrição infantil

unicef Adital -

A existência no mundo em desenvolvimento de 146 milhões de crianças menores de cinco anos abaixo do peso, contrasta com a realidade das crianças cubanas, reconhecidas mundialmente por estarem alheias a este mal social.

Essas preocupantes cifras apareceram em um recente reporte do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), sob o título de Progresso para a Infância, Um balanço sobre a nutrição, divulgado na sede da ONU.


De acordo com o documento, as porcentagens de crianças abaixo do peso são de 28% na África Subsaariana, 17% no Oriente Médio e África do Norte, 15% na Ásia Oriental e no Pacífico, e 7% na América Latina e no Caribe. A lista fica completa com a Europa Central e do Leste, com 5%, e outros países em desenvolvimento, com 27%.

Cuba não tem esses problemas. É o único país da América Latina e do Caribe que eliminou a desnutrição infantil severa, graças aos esforços do Governo para melhorar a alimentação da população, especialmente daqueles grupos mais vulneráveis.

As cruas realidades do mundo mostram que 852 milhões de pessoas padecem de fome e que 53 milhões delas vivem na América Latina. Apenas no México existem 5 milhões e 200 mil pessoas desnutridas e no Haiti três milhões e 800 mil, enquanto que em todo o planeta morrem de fome a cada ano mais de cinco milhões de crianças.

De acordo com estimativas das Nações Unidas, não seria muito custoso oferecer saúde e nutrição básica para todos os habitantes do Terceiro Mundo. Bastaria, para alcançar essa meta, 13 bilhões de dólares anuais adicionais ao que agora se destina, uma cifra que nunca se conseguiu e que é exígua se se compara com o bilhão que a cada ano se destina à publicidade comercial, aos 400 bilhões em drogas entorpecentes ou inclusive aos 8 bilhões que se gasta com cosméticos nos Estados Unidos.

Para satisfação de Cuba, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) também reconheceu que esta é a nação com mais avanços na América Latina na luta contra a desnutrição.

O Estado cubano garante uma cesta básica alimentícia que permite a nutrição de sua população ao menos nos níveis básicos- mediante a rede de distribuição de produtos básicos.

De igual forma, são feitos reajustes econômicos em outros mercados e serviços locais para melhorar a alimentação do povo cubano e atenuar o déficit alimentar. Especialmente mantém-se uma constante vigilância sobre o sustento dos meninos, meninas e adolescentes. Assim, a atenção à nutrição começa com a promoção de uma melhor e natural forma de alimentação da espécie humana.

O tema desnutrição cobra grande importância na campanha da ONU para conseguir em 2015 as Metas de Desenvolvimento do Milênio, adotadas na Cúpula de chefes de Estado e de Governo celebrada em 2000, e que têm entre seus objetivos eliminar a pobreza extrema e a fome para essa data.

Não isenta de deficiências, dificuldades e sérias limitações por um bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos há mais de quatro décadas, Cuba não mostra desesperadores nem alarmantes índices de desnutrição infantil. Nenhuma das 146 milhões de crianças menores de cinco anos abaixo do peso que vivem hoje no mundo são cubanas.

Brasil começa a construir no Maranhão a maior refinaria da América Latina

dilma A ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, prometeu aos maranhenses, ontem, ao participar do lançamento da pedra fundamental daquela que será a maior refinaria de petróleo da América Latina, “emprego na veia”. E é no mínimo isso que terá a minúscula Bacabeira, cidade de pouco mais de 15.000 habitantes a 60 quilômetros de São Luis e a muitas milhas marítimas dos campos de petróleo explorados no Brasil. Ela receberá, em quatro anos, investimentos da ordem de R$ 40 bilhões, o equivalente a 224% do PIB de todo o Estado do Maranhão.


“Por trás deste investimento virão hotéis e estradas e, em alguns anos, poderemos ver o mapa do Brasil e dizer que o Norte e o Nordeste não são mais pobres”, projetou o presidente Lula na mesma solenidade.

“Será uma obra estruturante e importante para elevar o Maranhão a um novo status de estado economicamente forte e ativo no cenário nacional e mundial”, previu o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli.

Um projeto deste vulto tem mesmo potencial de operar milagres. No Maranhão, seria o de inverter, em poucos anos, uma curva há três décadas decrescente de indicadores econômicos e sociais. Os últimos dados do IBGE apresentaram o estado como o de pior renda per capita, pior distribuição de renda e de maior deslocamento da população para faixas de pobreza mais acentuada, ao contrário da tendência geral do país. O Maranhão está entre os estados com piores índices de desenvolvimento humano e econômico.

É neste solo que serão plantados, a curtíssimo prazo, 26.000 empregos – trabalhadores que serão contratados diretamente para construir e implantar a refinaria e o terminal portuário que receberá petróleo e embarcará derivados – e que a médio e longo prazo chegarão a 132.000. A projeção é da Petrobras, que considera os empregos diretos dos futuros operadores das unidades de produção, os empregos indiretos e os que serão criados em decorrência do aumento da renda local.

A intenção do governo é qualificar a mão-de-obra local para assumir esses postos, até mesmo para não sobrecarregar a precária infraestrutura local com a migração de trabalhadores. Para isso o Programa de Mobilização da Indústria Nacional do Petróleo e Gás Natural (Prominp), do governo federal, pretende capacitar 22,7 mil pessoas até 2013.

A primeira etapa da Refinaria de Bacabeira estará pronta em 2013 e terá capacidade para processar 300.000 barris de petróleo por dia. Com a conclusão da obra, em 2015, a capacidade de refino passará para 600.000 barris por dia, que serão transformados em gasolina, gás e petroquímicos.

Lúcia Hipolito: a maldição “Boris Casoy”.

 

lhipo Duas semanas depois, a maga do jornalismo nos brinda — agora na rádio CBN, também da Globo — com uma explanação cuja primazia é, finalmente, só dela. No caso, Hippolito interage (na realidade, faz o possível para falar) com o apresentador Roberto Nonato. Você pode ouvir o áudio da entrevista acima, mas, diante de uma demonstração de jornalismo honesto, corajoso e progressista, vale a pena transcrever o diálogo na íntegra.
ROBERTO NONATO: “Oi, Lucia Hippolito, boa noite!”


LUCIA HIPPOLITO (voz embargada): “Boa noite, Nonato. Boa noite, ouvintes da CBN.”
ROBERTO NONATO: “Ô, Lucia... O presidente Lula assinou o decreto que cria o grupo para elaborar o projeto da Comissão da Verdade, sobre violações de direitos no regime militar. E, para tentar resolver aquela crise entre os ministros da Defesa e dos Direitos Humanos, o texto não usa a apalavra ‘repressão’, Lucia. É uma tentativa de apagar o incêndio entre os ministros, né?”
LUCIA HIPPOLITO (a voz piora): “Olha, Lolito( Não era Nonato?). Eu... eu... eu, particularmente, acho uma coisa muito complicada. Acho que o presidente... cometeu um... um erro político... no sentido de cooo... de cometer um... um... um mooonte de... de... de... erros.... De... de... de criar um monte de empresas... (empresas??? no Plano Nacional de Direitos Humanos?), um monte de brigas... nesse problema. Agora, eu acho o seguinte: desse ponto de vista exclusivo... das... das... ele num... das, das... dos direitos humanos, do ponto de vista dos direitos humanos... eu vou dizer uma coisa para você... é...”
ROBERTO NONATO: “Ô, Lucia... A gente vai tentar refazer o contato pra voltar daqui a pouco em melhores condições...”
LUCIA HIPPOLITO: “Éééé... esse... o telefone tá piscando (hã?)... tá... ele tá cortando a linha... (desligam o som).
ROBERTO NONATO: Tá, ok. Só um instantinho. Daqui a pouco a gente volta...
O resumo da ópera (bufa) é que nunca um apresentador da CBN esteve tão coberto de razão: silenciar Lucia Hippolito é a melhor maneira de ouvi-la “em melhores condições”.

Matéria original em: http://brasilmostraatuacara.blogspot.com/2010/01/lucia-hipolito-mulher-de-raciocinio.html

Lula e Dilma participarão do Fórum Social Mundial

fsm

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá participar do Fórum Social Mundial (FSM), em Porto Alegre, no próximo dia 26, e, três dias depois, seguir para o Fórum Econômico Mundial, em Davos. De acordo com a assessoria da Presidência da República e com os organizadores do FSM, Lula iria para Porto Alegre no dia 28, mas foi informado de que receberá uma homenagem de "personalidade do ano" em Davos, e não poderá faltar. A intenção do presidente é participar dos dois eventos.


A organização do evento convidou também outros presidentes latinos, como Hugo Chávez (Venezuela), Rafael Corrêa (Equador), Fernando Lugo (Paraguai), e o presidente eleito do Uruguai, José "Pepe" Mujica, para os debates do Seminário Internacional, no dia 28. Com a mudança na agenda de Lula, que recepcionaria os outros presidentes, a agenda poderá ser modificada. Também devem participar as pré-candidatas Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV), convidadas por ONGs. Os pré-candidatos Ciro Gomes (PSB) e Heloísa Helena (PSOL) também receberam convites. Apenas o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), foi excluído. O PSDB e seu aliado DEM nunca foram convidados, pois as organizações argumentam que eles defendem o projeto neoliberal, antítese do Fórum, e se assemelham mais ao plano de Davos.

A 10ª Edição do Fórum Social Mundial marcará uma descentralização. Esta será primeira de 27 edições espalhadas pelo mundo. O evento na capital gaúcha é comemorativo e tem como objetivo debater o papel do Fórum na política mundial e planejar seu futuro. Por este motivo, no máximo, 30 mil pessoas deverão participar. A última edição, em Belém (PA), reuniu 150 mil participantes. A próxima edição centralizada será em Dacar, no Senegal, em janeiro de 2011.

O que aprendi na polêmica do PNDH

azenha

por Luiz Carlos Azenha

Definiu um leitor do Nassif que "a montanha pariu um rato". Seria uma boa imagem se, depois de tantos litros de tinta, tantas páginas de jornal, tantos minutos em emissoras de rádio e televisão dedicados à polêmica do Plano Nacional de Direitos Humanos não extraíssemos absolutamente nada.


Não foi o caso. Podemos dizer que a polêmica pariu uma tremenda discussão sobre Direitos Humanos e renovou o ímpeto daqueles que lutam para aprofundar a democracia brasileira e fazer valer direitos não apenas aos latifundiários da terra e do espaço eletromagnético. Um leitor do Viomundo -- a quem peço perdão antecipado por não ter anotado o nome -- apontou o nexo entre esses dois grupos por trás da polêmica.

Não é por acaso que, do lado de lá, sustentando a teoria doidivanas de que o PNDH representa algum tipo de "cobertura" a um "golpe autoritário" no Brasil, estavam os editorialistas da Folha, do Estadão, as páginas da revista Veja, o Ali Kamel, o Boris Casoy apud Ives Gandra Martins, a Confederação Nacional da Agricultura (da Kátia Abreu), a OAB paulista (a mesma do "Cansei"), setores conservadores da Igreja, o José Nêumanne, o Alexandre Garcia e uma infinidade de outros personagens menores.

O leitor Gustavo Paim Pamplona disse, em comentário, que o terremoto no Haiti -- e as trágicas mortes de Zilda Arns e dos militares brasileiros -- acabou abortando a primeira grande "crise" de 2010, que na verdade é mais uma de muitas. Quem é leitor do site acompanhou conosco o caos aéreo, a epidemia inexistente de febre amarela e a devastação da gripe suína, em que alguns ingredientes que vimos agora já estavam presentes: a desinformação acoplada a um discurso apocalíptico dos adversários do governo Lula.

Já dava para notar para onde caminharia a "crise", não fosse pelo infortúnio caribenho: iria bater às portas da Casa Civil e de Dilma Rousseff.

Há quem diga que foi tudo tramado por José Serra ou assessores dele: a crise perfeita. Presidente da República em férias, a musa da febre amarela vaza um relatório que ainda não tinha chegado ao Ministério da Defesa dando conta de que a FAB montou uma espécie de pódium aeronáutico com medalhinha de ouro para o jato sueco, medalhinha de prata para o jato americano e medalhinha de bronze para o jato francês, justamente o preferido do presidente da República.

Some-se a isso o descontentamento militar com detalhes do Plano Nacional dos Direitos Humanos, especificamente com o estabelecimento de uma comissão da verdade para apurar os crimes cometidos pela "repressão política" durante o regime militar. Eram esses os ingredientes do caldo cozido no fogo da mídia.

Resisto em acreditar em maquinações que requeiram a articulação de mais de meia dúzia de pessoas. Mas o "modo de operação" é razoavelmente conhecido: os jornais repercutem as notícias uns dos outros, que ganham perna nos telejornais e... vira uma bola de neve, especialmente atraente num ciclo de poucas notícias.

Vi isso ao vivo, nos tempos em que eu era repórter da TV Globo: sai na Veja, ganha pernas no Jornal Nacional de sábado, sai nos jornalões de domingo e segunda-feira tem "crise". Ou seja, é uma fórmula um tanto desgastada.

É importante considerar, nesse caso, que em um negócio bilionário como a compra de caças há sempre muito dinheiro de lobistas. Não é por acaso que tanto na Folha quanto no Estadão -- este em editorial -- se falou que a solução era "adiar" o negócio. A quem interessa "adiar"? A Washington, com certeza: os Estados Unidos não querem que o Brasil feche uma parceria estratégica com a França, injetando europeus militarmente no Hemisfério Sul, porque com isso perdem poder e dinheiro. Muito dinheiro.

É inegável que algum desconforto militar houve com o PNDH. Não no tom descrito pela musa da febre amarela, segundo o qual os militares temiam a "depredação" de instalações militares. Ela disse que os militares "imaginam que o resultado dessas propostas seja a depredação ou até a invasão de instalações militares que supostamente tenham abrigado atos de tortura e não admitem o constrangimento da retirada de nomes de altos oficiais de avenidas pelo país afora".

Era só o que faltava para o repertório de piadas brasileiras: sequestro relâmpago de tanque de guerra pelo MR8.

Que a jornalista tenha tido a coragem de escrever isso, mesmo atribuindo a uma fonte, no pé de uma reportagem sobre a crise -- uma das primeiras -- diz muito da qualidade da mídia brasileira, em que jornalistas são guiados, quando não cavalgados, pelas fontes.

Tem a má fé e tem a desinformação, o despreparo, a preguiça mental de repórteres e editores. Em tempos de internet, os PNDHs I, II e III estavam lá o tempo todo, para quem quisesse ler e entender. O próprio Viomundo foi um dos primeiros a falar disso, depois de ver no Paulo Henrique Amorim um vídeo com a votação em que a proposta para formar a Comissão da Verdade foi aprovada por 26 votos contra dois de representantes do Ministério da Defesa, na conferência nacional de Direitos Humanos de 2008, que rascunhou o PNDH III.

Foram dias até a mídia chegar -- graças à rádio CBN -- ao Paulo Sergio Pinheiro, organizador do PNDH II, que esclareceu o nexo entre a Conferência de Viena e o PNDH I, em 1996. O Brasil, junto com a Austrália, é que propôs o conceito dos planos nacionais. Há repórteres que até agora não entenderam o caráter meramente propositivo do plano, de definir diretrizes gerais. O fato de que o PNDH resulta de um decreto presidencial não o torna lei. Cada um daqueles pontos do plano, para se tornar lei, terá de fazer todo o trâmite legislativo no Congresso Nacional.

A falta desse entendimento ou a má fé -- é difícil dizer quando é preguiça e quando é malícia -- resultou em abordagens inacreditáveis, como a já famosa reportagem do Jornal da Band que junta tudo o que pode haver de pior no Jornalismo: deveria ser gravada e mostrada nas salas de aula pelos professores como exemplo de como não fazer.

Para uma aula nas sutilezas manipulativas do Ali Kamel, recomendo essa aqui. Também não é novidade. O Rodrigo Vianna foi o primeiro a denunciar isso e as provas, evidências e testemunhos só fazem crescer, como registra quase diariamente o Marco Aurélio Mello.

E tem também a grosseria pura e simples, em rede nacional de TV.

Esses três momentos da TV brasileira são a justificativa para a Conferência Nacional de Comunicação recém-realizada. Ajudam a explicar porque alguns empresários do setor evitaram a conferência: eles querem ter o direito eterno de usar um bem público do qual são concessionários para mentir, forjar, deturpar e distorcer informações, sem dar qualquer satisfação à sociedade.

Ao constatar isso, há quem queira reviver no Brasil de hoje os anos 60, trazendo de volta os antigos e mal resolvidos embates ideológicos. Há, aliás, um bom artigo do Rodrigo Vianna sobre o momento que vivemos.

Mas, francamente, acho contraproducente trazer de volta as memórias da rua Maria Antonia [quando os direitistas do Mackenzie enfrentavam os esquerdistas da Faculdade de Filosofia da USP], que pertencem a outro tempo. Há que se investigar o passado, punir os criminosos que cometeram seus crimes em nome e em defesa de um regime ilegítimo. Ponto.

De outra parte, se algumas centenas de brasileiros se engajarem na defesa dos princípios expressos no PNDH, a "crise militar" terá valido a pena. E a contribuição de todos vocês, que ajudaram a disseminar informação a respeito, foi e continua sendo valiosa. É um assunto muito importante para ficar nas mãos de poucos em Brasília.

Mais uma vez ficou provado que a mídia tem poder -- mas bem menos do que imagina. Eu diria até que cada vez menos aquele grupinho de editores do eixo Rio-Brasília-São Paulo pode manobrar a opinião pública. Das dezenas de reparos feitos ao PNDH, houve apenas uma "correção", acordada entre os ministros do governo Lula, muito embora há quem diga que a pequena mudança descaracterize o essencial, abrindo a possibilidade de equiparar torturadores aos que pegaram em armas contra o regime militar. A ver.

Mas é bom prestar atenção em duas coisas que a "crise do PNDH" deixou claro: dessa vez, o caldo da mídia foi engrossado por algumas organizações -- CNA, OAB-SP, setores da igreja, setores militares, a extrema-direita -- que ensaiaram uma coalizão conservadora que não havia mostrado o rosto em situações anteriores.

É importante que aqueles que se dizem de esquerda não contribuam com o crescimento e o fortalecimento dessa coalizão, com palavras e atos doidivanas. Na História brasileira, como destacou o Rodrigo Vianna, o PSD [antigo partido político, que ficava sempre entre a UDN e o PTB, uma espécie de centro político, hoje ocupado pelo PMDB] é o pêndulo: quem perde o centro, perde o poder. Quem perde a razão, também.

Leiam o livro "1964 -- A Conquista do Estado". Vale a pena.

As manifestações mais hidrófobas que vimos durante a "crise militar" mostram que os conservadores brasileiros estão perdendo a razão. Eles dispõem dos meios para propagar suas mensagens. Dispõem do oportunismo político de alguns. E dispõem de uma fatia da classe média urbana brasileira, pequena, que está absolutamente convencida de que tem um chavista no ralo do banheiro -- e a culpa é do Lula. Tenho uma vizinha, telespectadora assídua do JN, que está ameaçando o cãozinho de estimação com o grito: "Cuidado, o Vanucchi vem te pegar".

Disseminar informação de qualidade e um debate franco e honesto é a melhor forma de evitar o inchaço da legião de celerados. Descomprimir a imensa panela de pressão que é um país injusto como o Brasil requer paciência e cuidado, especialmente quando mudanças rápidas colocam em xeque um modelo concentrador de renda, de terra e de poder. Nesse contexto, Direitos Humanos representam uma ameaça por serem exatamente o que são: universais.