Cavalo arreado

Cavalgar e viver é sempre questão de equilíbrio, já disse em algum lugar o poeta.

O cavalo arreado passará por duas vezes para os partidos de esquerda no Espírito Santo? Ou tomará a trote, cansado de tanto esperar?

Em junho de 2008 o prefeito do PT, João Coser, tomou-lhe as rédeas, mas não o montou, levou-o ligeiro e mansamente ao vice-governador Ricardo Ferraço - ungido pela geopolítica de gabinete a candidato número um de uma fila imaginária.

Diz a lenda que o cavalo não passa arreado duas vezes na vida. Que é preciso montá-lo. Pode ser apenas fábula; se não o for, a esquerda política capixaba estará perdendo a sua oportunidade. Se esteve arreado para João Coser, já há algum tempo está para o senador Renato Casagrande.

Na política há cálculos, mas não ausência de riscos. Assim como há oportunidade perdida, por covardia ou miopia política, há também a responsabilidade diante da história. E sua consequência será um fardo na consciência daqueles que deixaram o manso cavalo pegar galope em mãos de terceiros. O amanhã é uma expectativa. Diferente do trem que espera o seu condutor, a dinâmica intrínseca do processo político não garante que a condução do hoje seja a certeza do amanhã.

Em cada esquina sinto a perplexidade de muitos, ouço a inquietude dos que buscam outra alternativa, que não aceitam a falsa opção entre a oligarquia A e a oligarquia B, mesmo que uma tenha recheio de esquerda; já não há tantos incautos que aceitam que o dilema é entre a volta do crime organizado e a manutenção da mesma estrutura de poder com outros nomes. Há algo mais além desse canteiro. É preciso ousar para ver e ousar grandemente para vencer!

“Nada acontece sem aviso nem é esquecido sem deixar marcas.

Qualquer que seja o instante perdido, é para sempre.

Quando saímos da estrada principal devemos nos confrontar com novos desafios e caminhos.

Neles, podemos errar.

Ou acertar.

Mas o risco é inevitável.

Quantas vezes deixamos o cavalo arreado passar!

Não o montamos.

Por medo ou insegurança.
Ou mesmo por escolha.

Talvez por julgarmos que ele passará novamente.

Nas mesmas condições e facilidades.
Muito provavelmente ele não voltará.
Perdê-lo não é como perder um trem.

O trem tem horários determinados.
É previsível.

Sempre passará

O cavalo arreado não.

Passa...

Deixa suas marcas.

Resta-nos a imagem do que poderia ter sido feito se ousássemos montá-lo”. (Trechos do poema, de mesmo título, de katia christofoletti, publicado no Recanto das Letras em 21/10/2008).

Abri com o poeta, encerro com o filósofo Friedrich Nietzche: A todo instante a existência principia; em torno de cada aqui, gira a esfera do acolá.

A estrela que brilhou ontem, e ainda tem luminosidade, pode morrer, a que está surgindo, pode apagar, mas ocasionará ao povo capixaba o surgimento de novas constelações no  firmamento político do Espírito Santo.

Francisco Celso Calmon Ferreira da Silva - militante de PT.

Um comentário:

  1. Usando a figura do "cavalo arreado", ou NÂO, como diria o Caetano (quem é mesmo esse cara ?),
    aliado a minha origem "caipira", recordo-me da estoria de um velho companheiro, lá do interior.
    Ele se dizia o "mestre dos peões", falava sobre a arte como se dela fosse intimo.
    Como "na terra de cego quem tem um olho errei", foi criando fama e seguidores.
    Até que um belo dia, em um rodeio, por articulações "curralescas", ele foi o escolhido para fazer sua primeira"montaria".
    No picadeiro estava o "cavalo arreado".
    Forte, imponente, o melhor da região , muito manso e com muitos "recursos".
    Ele monta, e dá suas primeiras voltas: era a gloria.
    Seus ficaram estavam euforicos.
    Mas eis que o "chefe" do picadeiro, muito mais "matreiro", joga um pequeno objeto na anca do cavalo (dizem que foi um grampo),
    e nosso heroi enfrenta a primeira "emboscada", muito comum nos rodeios.
    Com medo de possiveis imprevistos, o "mestre dos peões" se acovarda.
    No final , ele permanecia montado mas, quem segurava as redeas e guiava
    o "cavalo" era o "chefe do picadeiro" que, com um sorriso sarcastico pedia o aplauso da plateia.
    Este foi o fim deprimente do "ex-mestre dos peões".

    Dizem que hoje, grande parte de seus seguidores trabalham para o "chefe " do picadeiro,
    e os verdadeiros "peões", continuam lutando para o engrandecimento de sua arte.
    Juro que foi verdade,

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