Relendo este artigo do companheiro Chico Celso, meu parceiro na editoria deste blog, vi que, apesar ter sido escrito há sete meses, o artigo continua atualíssimo. A pergunta final do Mandonismo ainda não foi respondida. Mas está cada vez mais quente. Com o ‘fico’ do Hartung a estratégia do Coser e sua maioria foi desmoronada, mesmo assim, o segredo permanece. Aliás, “são duas respostas que a história ainda nos dará, é preciso paciência, mas o tempo para esses imbróglios é inexorável”, como me disse o autor do artigo.
Paulo Ribeiro.
MANDONISMO
A contradição que o PT local está vivendo não é um fenômeno isolado. É o mesmo que a sociedade brasileira vive, talvez ainda de forma latente, não totalmente manifesta e lúcida. Trata-se de qual democracia o povo brasileiro quer para o seu país, igualmente qual a democracia que a militância petista quer para o seu partido?
Queremos construir uma democracia dos cidadãos ou uma “democracia” das elites? O poder de uns poucos, que se julgam os melhores – aristocracia – ou o poder do povo, que são muitos? É a República dos amigos, do corporativismo, do patrimonialismo, das instituições corrompidas? É a república oca, tal qual uma igreja sem fiéis? É a república sem povo, mas em seu nome governada? O Brasil das oligarquias, dos Sarneys, dos ACMs, dos RenanCollors..., mutáveis nas pessoas, mas permanente na estrutura de domínio do poder? É a democracia de pés de barro – frágeis na essência, cínica e hipócrita na aparência? Ou desejamos construir uma República de todos e administrada de forma democrática, na qual, sempre que viável, é o povo que diretamente decide, e cuja postura seja a decência, a transparência e a participação coletiva solidária?
O que objetivamos para o macrocosmo social, também devemos construir no microcosmo partidário. Se os partidos, sujeitos dessa construção, não praticam internamente o que dizem querer para a sociedade brasileira, como serão capazes? Se não praticam a democracia interna, como seus quadros se comportarão quando no poder? Para que serve a militância? Para fazer o teatro do faz-de-conta, para sair na fotografia, para levantar e baixar crachás e bandeiras?
Eis por que combatemos o que chamamos de geopolítica de gabinete. Ela é uma metodologia de apartação. Aliena o povo, exclui a militância.
O Espírito Santo esteve entregue institucionalmente ao crime organizado, foi necessário um movimento de muitos, e que contou com lideranças à frente, não de uma, de algumas, mas que tinham muitos atrás. Entretanto, à guisa de que o crime organizado ainda está incrustado, apregoam que o caminho vitorioso é aquele que tem um chefe acima de tudo, que só o que vem dele assegura a trilha do bem. É o mandonismo, grave acinte à democracia.
O PT-ES já cometeu seus erros, desgastou-se, retraiu-se, revigorou-se. É hoje a legenda com maior apoio eleitoral. Quando tinha tudo para ser vanguarda, tornou-se caudatário da estratégia hartunguista. Estranha e, ainda, inexplicavelmente, seu quadro de maior popularidade, João Coser, usando de meias verdades, de uma postura de dono do partido, provocando a indisciplina no interior do PT, acirrando prematuramente divisões, hipotrofiando a democracia interna, assumiu a articulação do candidato ungido pelo governador, antes do partido arquitetar, democraticamente (isto é: através do contraditório), a sua tática eleitoral.
É até pitoresco saber que o candidato Ricardo Ferraço “tem convicção absoluta de garantir um palanque a Dilma”. O candidato tem popularidade claudicante, forte rejeição na militância, não se sobressai como um excepcional gerente, por que, então, é o ungido?
Ajudar a Dilma é em primeiro lugar manter o PT disciplinado e unido. Em seguida é fazer um senador, e também aumentar a bancada federal. Vice, para quê? Vice não é votado, vice não é referência.
Por tudo, a indagação que ferve no meio político é o porquê do Coser cometer erros tão primários, sendo o político que é?
Francisco Celso Calmon Ferreira da Silva é fundador do PT.













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