Entrevista de Chico Celso ao boletim do dep. Cláudio Vereza

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O  Mandato Vereza (MV) bateu um papo com Chico, como é chamado pelos  petistas , sobre o papel do PT no Espírito Santo.

MV – pergunta: O PT fez 30 anos de existência, de lá para cá como o senhor vê, hoje, essa caminhada do partido?
Francisco Calmon – responde:
Bem, se o PT participa do poder é porque é um partido vitorioso. Mudou, incorporou novos valores, mas não traiu o sonho de uma sociedade justa, fraterna, solidária, sustentável. Aprendeu que a democracia é um valor perene, afirmou o socialismo como objetivo estratégico, descobriu que o equilíbrio ecológico é uma bandeira revolucionária, que seu diferencial é a militância, sem ela irá se igualar aos demais e ser um partido de donos.

MV – pergunta: O PT tem sua origem em movimentos de base como operariado, movimentos populares e em comunidades eclesiais de base. O que significa para o senhor a chegada do partido à presidência da República ?
Francisco Calmon – responde: Significa que os caminhos democráticos não são estreitos, pois permite galgar a presidência, mesmo sem ter a hegemonia ideológica, mas significa também que, uma vez lá, não pode ficar circunscrito aos limites formais da democracia, tem que continuar alargando e aprofundando a democracia brasileira, travando a luta ideológica, para que num estágio mais avançado o povo possa fazer a sua opção socialista.
MV – pergunta: Há um jeito petista de ser?
Francisco Calmon – responde: Não, na prática não há. Deveria existir, e seria um jeito ético, onde os meios seriam tão importantes quanto os fins; seria democrático, no qual o coletivo predominasse; solidário, onde houvesse injustiça, o petista teria que estar lutando contra e ajudando ao injustiçado; e fraterno, que significa compreender que a diferença é de idéias e, portanto, os companheiros são todos irmãos de luta e o partido vem primeiro que as tendências. Isto quer dizer que não se joga e nem se deixa companheiro na estrada.
MV – pergunta: Este é o último ano de Lula na presidência. Qual o maior legado dele como presidente do Brasil?
Francisco Calmon – responde: O maior legado dele, Lula, é, a meu juízo, a sua postura democrática, a despeito de sua inédita aprovação popular não aceitou a tese do 3º mandato, e a inserção do Brasil como protagonista no cenário internacional. Diferentemente da política econômica, a política externa reflete os ideais petistas.

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