“Ou morre o capitalismo ou morre a Terra”, diz Morales ao abrir
Cúpula Climática da ONU , no México.
O presidente boliviano, Evo Morales, um esquerdista de origem aimara, abriu,
esta terça-feira, na Bolívia, uma conferência mundial de 20 mil ativistas
para discutir propostas contra o aquecimento global e difundir uma mensagem
clara: “ou morre o capitalismo, ou morre a Terra”.
“O capitalismo é sinônimo de inanição, o capitalismo é sinônimo de
desigualdade, é sinônimo de destruição da mãe Terra. Ou morre o capitalismo,
ou morre a Terra”, afirmou o presidente, na inauguração do evento no povoado
de Tiquipaya, vizinho a Cochabamba, região central da Bolívia.
Em um campo de futebol diante de milhares de pessoas, o presidente disse que
só os movimentos sociais do mundo, unidos a povos indígenas e
intelectuais, “podem derrotar esse poder político e econômico (capitalismo) ,
em defesa da mãe Terra”.
Durante três dias, Tiquipaya se tornará no centro de uma conferência mundial
de aborígenes e movimentos sociais de 129 países, celebrada para debater uma
proposta para enfrentar as mudanças climáticas, que será apresentada na
próxima Conferência Climática da ONU, agendada para o fim deste ano, no
México.
Morales assumiu, em dezembro passado, o compromisso de organizar uma reunião
mundial da sociedade civil, após criticar, junto a colegas de Venezuela,
Nicarágua e Cuba, as conclusões da Conferência do Clima de Copenhague que,
segundo ele, não obteve o consenso mínimo necessário para conter o
aquecimento global.
A inauguração se realizou em meio a uma festa folclórica no estádio do
povoado de Tiquipaya, que não bastou para abrigar todas as pessoas que ali
foram para ouvir o presidente.
Bandeiras de Bolívia, Peru, Chile, Equador, México e do ‘whipala’ – xadrez
multicolorido, símbolo dos indígenas andinos – dominavam o estádio de
Tiquipaya. Um barulhento grupo de argentinos gritava vivas para o presidente
Morales e entoava cânticos esquerdista dos anos 1970.
Indígenas bolivianos quechuas e aimaras, bem como de Chile, Peru, América
Central, Estados Unidos e Europa estiveram presentes à inauguração.
Ativistas antiglobalizaçã o de África, Oceania e países sul-americanos também
integravam a multidão de movimentos sociais que exigiam das potências
industrializadas que freassem o aumento da temperatura do planeta, com o
slogan “mudem de modelo, não mudem o clima”.
“Há uma profecia, uma voz do norte, uma mensagem que diz à humanidade que
temos que parar para não tirar a vida da Pachamama (mãe Terra em idioma
quechua)”, declarou em inglês, com ajuda de um intérprete, Faith Gammill,
que disse representar os indígenas do Alasca e do Canadá.
Alicia Bárcena, representante do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-
Moon, viveu um momento difícil ao ser vaiada no estádio.
Secretária-geral da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal),
Bárcena ameaçou retirar-se caso as vaias continuassem.
“Viemos escutar os povos com todo o respeito; vocês nos convidaram, mas se
não querem que estejamos aqui, nós podemos nos retirar”, disse, embora em
seguida tenha conseguido dar seu discurso.
Um total de 17 mesas de trabalho foram instaladas na Bolívia para debater
temas principalmente referentes à formação de um tribunal de justiça
climática – para punir as nações poluidoras -, a convocação de um referendo
mundial – para frear acordos das potências sobre o clima – e a criação de um
organismo paralelo à ONU para reforçar políticas ambientalistas.
O encontro se encerrará esta quinta-feira com a presença dos presidentes
Hugo Chávez (Venezuela), Daniel Ortega (Nicarágua), Rafael Correa (Equador)
e Fernando Lugo (Paraguai).
Morales impulsionou a celebração do encontro, após chamar de fiasco a Cúpula
de Copenhague, no ano passado, e para gerar uma proposta alternativa para a
próxima Cúpula Climática da ONU, no México.
Ou morre o capitalismo ou morre a Terra
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