Candidatura remota

Leia  o artigo do companheiro Chico Celso, A NOIVA, escrito no mesmo dia e mês, há um ano atrás, da matéria abaixo. Vale conferir uma e outra.

Em tese, são poucas as chances de o governador Paulo Hartung ser convidado para vice na chapa da ministra Dilma Rousseff. Ele próprio admitiu essa dificuldade ontem à coluna. A lógica que rege a escolha é absolutamente pragmática, e considera os maiores colégios eleitorais. De todo modo, o fato representa um reconhecimento considerável, e indica que Hartung e o Estado ganham projeção no país.

O nome do governador já viria sendo ventilado entre as alternativas para a chapa palaciana – a do Palácio do Planalto, claro –, desde o final de 2009. Mas ontem, reportagem do jornal Valor Econômico voltou ao tema.
Hartung é incluído entre os possíveis integrantes da lista tríplice que o PMDB pode oferecer a Dilma e ao presidente Lula. Outros cotados seriam o ministro Hélio Costa, o prefeito de Goiânia (GO), Iris Rezende, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. O presidente da Câmara, Michel Temer, segue como franco favorito.
A indicação para vice é sem dúvida mais atraente que a candidatura ao Senado. Primeiro, porque Hartung já foi senador, e hoje aquela Casa não vive sua melhor fase, como se sabe. No Senado, ele poderia perder rapidamente a alta aprovação que tem. Isso explicaria a manifesta relutância do governador em decidir pela candidatura ao parlamento.
Mas, como vice-presidente, caso Dilma vença a disputa para o Planalto, Hartung poderia tocar projetos importantes na máquina pública federal.
Segundo avaliações nos meios políticos, Hartung ou Henrique Meirelles tornariam a chapa de Dilma mais palatável para vários setores. Lula, inclusive, teria preferência por Meirelles, e por isso o teria colocado no PMDB.
A favor de Hartung pesam o desempenho administrativo do Estado, a relação equilibrada com lideranças nacionais de diferentes partidos e matizes, e o bom trânsito entre o setor econômico.
A questão é que, como o próprio governador admite, o diminuto eleitorado do Estado reduz muito as chances de ele ser o escolhido. O Espírito Santo tem 2,4 milhões de eleitores, o correspondente a 1,8% do total do eleitorado do país, segundo dados do site do Tribunal Superior Eleitoral.
Em contrapartida, Minas Gerais conta com mais de 14 milhões de eleitores, ou 10,7% do eleitorado nacional.
Mas também pesa na indicação do vice a geopolítica partidária e eleitoral, obviamente. Estão em jogo os votos do maiores colégios eleitorais e o embate pela hegemonia no PMDB no país.
Afinado com Lula, o PMDB do Congresso, que hoje está à frente do partido, prefere Temer. A presença do presidente da Câmara na chapa enfraquece o PMDB de São Paulo, que apoia o tucano José Serra.
No jogo político, Serra precisa aumentar sua influência no Nordeste e em Minas, enquanto Dilma precisa de Minas e São Paulo.
De todo modo, quanto a Hartung, o fato de ele ter sido incluído entre os cotados indica que o peemedebista se consolida como liderança nacional. Mas deixaria uma possível brecha para ele ser lembrado também na composição de um novo governo petista.

Fonte: Praça Oito – AGAZETA – 20/01/2010

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