A noiva

Francisco Celso Calmon Ferreira da Silva

chicocelso Os partidos protagonistas das eleições presidências, PT e PSDB, sabem que a noiva desejada para a aliança, potencialmente determinante da vitória, é o PMDB, partido que com o poder nas mãos, por sua política clientelista e fisiológica, é um multiplicador de votos. Foi o que ocorreu nas eleições municipais de 2008. Foi o mais vitorioso, seguido pelo PT. DEM e PSDB os perdedores. Mas cada eleição tem a sua história própria.


O PMDB é uma agremiação sem projeto e sem unidade nacional, daí a dificuldade, ou mesmo a impossibilidade política, de ser um dos protagonistas e lançar candidato próprio, ainda que possa fazer movimentos nesse sentido para aumentar o dote da noiva. Essas mesmas razões provocam as incertezas antes, durante e após as eleições, pelo caráter volúvel de seus compromissos.

O PSDB e o PT, embora tenham projetos que na prática se tangenciam, conseguem no exercício do poder se distanciar, por conta de suas alianças preferenciais: o PSDB se alinha pela direita, com ex-PFL, herdeiro da ARENA da ditadura, atual DEM, o PT pela esquerda, com os partidos que desde os tempos sombrios do arbítrio se colocam a favor da democracia e do desenvolvimento com justiça social, que são PCdoB, PSB e PDT - considerando herdeiro do PTB histórico. Essas são as constelações estruturais, existem outras se consolidando.

No Espírito Santo o PT foi o grande vencedor, maiores municípios e maior votação na legenda, e o PMDB o segundo vitorioso, quantidade de municípios. Na eleição de 2006 o PT, através de algumas de suas lideranças, fez um acordo com o governador para não lançar candidato majoritário e, na prática, sufragá-lo com a votação histórica obtida, e também com o PSB, tornando o Casagrande o senador mais votado da biografia do E. Santo, e em troca que ambos se dedicassem num apoio explicito e vigoroso ao Lula. Até hoje há controvérsias se o apoio esperado existiu.

O PT capixaba ainda é um partido de militantes e o cenário resultante das urnas o impõe a ter candidatura própria; arriscaria dizer que é quase impossível ficar unido se não for por esse caminho, a militância não aceitaria virar as costas para o mapa resultante das eleições de 2008. Somada a isso, sente-se credora do governador e do senador Renato. A questão central é qual será o candidato do PT. O prefeito João só aceitará se o governador o colocar como primeiro de sua lista. A militância não aceita essa questão de lista e compreende que, malgrado o João ser o quadro com mais acúmulo eleitoral, não é o único, e poderia sair, entre outros, até com o Guerino Balestrassi, caso ele entre no partido, não com esse objetivo, mas com essa possibilidade.

A lógica política, que nem sempre impera, leva a que o vice da Dilma Rousseff seja do PMDB, e nele há muitos bons quadros com estatura política para agregar e contribuir para a vitória eleitoral e para a governabilidade. E é um disparate achar que um estado como o nosso não pode oferecer um vice, a história mostra o contrário: tivemos Sarney de um estado pobre econômica e eleitoralmente, um presidente, Collor, das Alagoas; no poder Legislativo candidatos e presidentes de estados sem a envergadura dos grandes; e, vale lembrar, a deputada Rita Camata como a vice do Serra, por que, então, o Paulo Hartung não poderia ser o vice da Dilma? O que é necessário é que seja um quadro articulado dentro do PMDB. Quiçá seja tarde! Mas que seria um enlace abençoado pelo Espírito Santo, seria.

Francisco Celso Calmon é consultor organizacional.

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