O PMDB só ganha

chicocelso

Em qualquer dos cenários visíveis no Espírito Santo para a eleição de 2010 o PMDB é o ganhador. No cenário preferencial do grupo palaciano, o candidato a governador será o Ricardo Ferraço, uma das senatorias ficará com o Paulo Hartung, portanto, das três vagas majoritárias o PMDB ficaria com duas.

Num cenário construído pelo PT/PSB, o governador seria do PT, João Coser, e o vice do PSB, Renato Casagrande, as senatorias ficariam à disposição do PMDB, que além de eleger o Paulo Hartung, poderia, com grandes chances, emplacar o Guerino Balestrasi. Nesse arranjo, além das senatorias ainda ficaria, sem esforço, com a PMV, por praticamente 3 anos, ou seja: a prefeitura da capital e duas vagas para o senado.



Uma hipótese, um pouco mais remota, mas não menos crives seria o Renato Casagrande como candidato a governador com apoio do PT, o vice do PMDB e um candidato do PT ao Senado em dobradinha com o PH. Este arranjo seria o mais equilibrado. Em quaisquer dessas possibilidades o pressuposto é um governo de coalizão entre PMDB, PT e PSB (E evidente que existem outras possíveis configurações, porém não é o propósito deste artigo esgotá-las).

Se pensarmos que cada eleição anterior ê um recado da população para os partidos, caberia argüir se o resultado eleitoral de2008no estado registrou esse potencial ao PMDB.

A resposta é certamente não, já que o PT ficou com 608.546* votos e o PMDB com 542.587*, e se juntar PT/PSB a somatório é de 1.013.811*, o que significa quase 50 % do eleitorado votante da eleição de 2008 (* dados do jornal A Gazeta de 16/11/2008).

Alguns analistas recorrem à variável nacional para ponderar que aliança regional deve favorecer ao projeto nacional. Embora não possamos impor uma lógica cartesiana nessa combinação, devemos analisar algumas premissas colocadas.

A principal é a de que Dilma precisaria de um palanque estadual. Penso que é relativo, por dois motivos um, se o candidato for Ricardo Ferraço, quem estará somando é a Dilma (que terá o maior cabo eleitoral da historia brasileira, Lula) à candidatura dele - que ê fruto de uma escolha da elite política, e não por sua aceitação popular; dois, o palanque de Paulo Hartung ao Senado, por sua história comportamental, será aquele que o possibilitar a uma votação histórica, isto é superior a que teve Renato Casagrande, e tenderá à candidatura de Dilma à medida que for ficando evidenciada a vitória dela.

Outra premissa, não menos importante, mas ainda mais relativa, é a pressuposição de que uma diferença entre  Serra e  Dilma poderá variar no Espírito Santo, dependendo do palanque que um ou outro tiver, a ponto de significar um quantitativo de votos peremptório no resultado nacional. Penso que é pouco expressivo, porque em 2.443.395 eleitores no estado a diferença não ultrapassará algo em torno de 350 mil, quantidade não decisiva no contingente nacional de 127.467943 de eleitores.

A única proposição irretocável, quase axioma, é a de que a maior contribuição que os aliados de  Lula/Dilma aqui no estado podem dar é elegendo a maior bancada federal que apóie o governo dela sem barganhas espúrias.



Francisco Celso Calmon Ferreira da Silva é fundador do PT, e consultor organizacional.

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